A Igreja não tem garantias de que ela sempre terá um papa (sem interrupções); mas quando ela possui um, é garantida à ela um que seja Católico.
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Saturday, July 16, 2016

O Vaticano II é obrigatório... E é uma heresia.

Nota: A seguir temos uma carta  enviada ao editor do "The Remnant", escrita em resposta à tentativa de Christopher Ferrara de refutar o meu artigo "Resistindo o Papa, Sedevacantismo e igreja Frankenstein (Conciliar)" (Novembro
2005). O Editor, Michael Matt, se recusou a publicá-la.

* * * * *

Ao Editor do The Remnant:

Alguns comentários gerais se fazem necessários em relação [ao artigo] "Argumentos Finais contra o sedevacantismo", de Christopher Ferrara do dia 30 de novembro de 2005, assim como alguns comentários particulares sobre meu artigo "Frankenchurch":

I. O Vaticano II é obrigatório?


O Sr. Ferrara sustenta que os ensinamentos do Vaticano II não são vinculativos aonde eles contêm "novidades" que não conformam
com o que foi ensinado "em todos os lugares, sempre, e por todos" (São Vicente Lerins). Este princípio, segundo ele, demonstra que o concílio não é parte do magistério ordinário universal. Paulo VI, acrescenta o Sr. Ferrara, excluiu "expressamente" que os ensinamentos do Vaticano II tivessem o "carisma da infalibilidade".



(a) Estamos de volta á Teologia do Papa de papelão do Sr. Ferrara (e da FSSPX). O (suposto) Vigário de Cristo e os bispos do mundo promulgam ensinamentos e leis. Advogados de Nova Jersey (essa palavra de novo!), bispos excomungados, e quem quer que seja, podem escolher quais os ensinamentos e leis são obrigatórias. Benvindo ao magistério self-service.

(b) A leitura do dito de São Vicente que o Sr. Ferrara e a FSSPX promovem -- você não está obrigado a nada que um papa vivo ou Concílio ensine, a menos que esteja em conformidade com a "tradição" (como é entendida pelos advogados, excomungados e leigos) -- é absolutamente errada.

Em um longo artigo, o teólogo pré-Vaticano II G. Bardy destrói esta teoria, porque "o direito de corrigir e definir a tradição autêntica... pertence à Igreja, herdeira da sucessão apostólica". Sem isso, a máxima de São Vincente "parece deixar cada indivíduo livre para escolher quais os dogmas são aceitos em todos os lugares, sempre e por todos", deixando, assim, "que a escolha pessoal tenha o direito de julgar em última instância."

Canon Bardy mencionou que esse foi o erro dos Galicanos e do proto-modernista Döllinger (excomungado mais tarde), que se opôs a infalibilidade papal no Vaticano I. (Dictionnaire de Théologie Catholique 15: 3051)

(c) Para apoiar sua afirmação de que as "novidades" do Vaticano II não são do magistério ordinário universal, e que, então, não são obrigatórias, o Sr. Ferrara cita a audiência de Paulo VI do dia 12 de janeiro de 1966: "Tendo em vista a natureza pastoral do Concílio, evitou-se proclamar de maneira extraordinária qualquer dogma com a marca da infalibilidade."

Isso não prova nada. "Extraordinário" refere-se a solene definições dogmáticas, que todos concordam o Vaticano II não fez.

Mas depois descobrimos que o Sr. Ferrara (seja por desonestidade ou descuido) deixou de fora o resto da frase:

"Mas [o Vaticano II], no entanto, dotou seus ensinamentos com a autoridade do magistério ordinário supremo, e que tal magistério ordinário (e, portanto, obviamente autêntico) deve ser docilmente e sinceramente recebido por todos os fiéis, de acordo com a intenção do Concílio a respeito da natureza e do âmbito dos respectivos documentos. "

Aham!

Se você aceita Paulo VI como um verdadeiro papa, portanto, o Vaticano II é parte do magistério ordinário universal. Como católico, então, você está obrigado a aderir á ele. Esse foi o meu ponto.

Ainda não está convencido? Aqui está a fórmula típica do final de cada documento Vaticano II:

"Toda e qualquer matéria declarada nesta Constituição Dogmática foram aprovadas pelos Pais deste sagrado Concílio. E nós, pela apostólica autoridade que nos foi dada por Cristo, juntamente com todos os Veneráveis ​​Padres, no Espírito Santo, aprovamos, decretamos e estabelecemos estas coisas; e o sínodo estabelece assim, todas as coisas, a fim de serem promulgadas para glória de Deus ... Eu, Paulo, Bispo da Igreja Católica. Seguem-se as assinaturas do resto do padres".. (AAS 57 [1965], 71)

Que parte de "autoridade apostólica", "Espírito Santo" e "resto dos Padres" você não compreende?

Resumindo: O self-service doutrinário está encerrado. Se Paulo VI foi um verdadeiro papa, há apenas um prato no seu menu: Vaticano II.

II. A "igreja frankenstein" (Conciliar) é uma heresia?

Na parte II da sua série, o Sr. Ferrara me desafiou: "Mostra-nos a heresia!"

Bem, eu mostrei a ele a definição de heresia (cânon 1325), a sua distinção em três partes (citando Michel), o tipo de doutrina que deve ser negada (Michel), como deve ter sido proposta uma tal doutrina (Michel), os tipos de termos e proposições que constituem uma negação (Schultes, Michel), os requisitos para pertinácia (Michel), proposições de amostra da heresia da "igreja frankenstein" (dezenove exemplos, incluindo os do Catecismo e CDC de JP2), o artigo do Credo que a "igreja frankenstein" nega (Creio em uma só Igreja), como o Magistério entende este artigo (nove textos papais, um de de Groot), e, finalmente, como os princípios sobre pertinácia se aplicam aos papas pós-conciliares (Michel, Cardeal Billot).

Contra isso, o melhor que Sr. Ferrara me vem é com uma nota de rodapé de Dominus Jesus dando uma suposta interpretação "autêntica" da palavra "subsiste" na Lumen Gentium. Muito interessante. 

Contudo:

(a) Por que devemos, repentinamente, ficarmos obrigados por uma nota de rodapé de uma declaração da cúria se, sob a hermenêutica Ferrara, tudo que o Concílio ensina, é opcional?

(b) Isso deixa o Sr. Ferrara dezoito proposições restantes da igreja Frankenstein (conciliar), com nove citações de papas pré-Vaticano II (a ponta do iceberg) e praticamente qualquer tratado de eclesiologia pré-Vaticano II escolhido aleatoriamente da prateleira. Boa sorte.

Mostrei-lhe a heresia, Sr. Ferrara. Agora mostre-me a ortodoxia.


Padre Anthony Cekada



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 (Internet, janeiro de 2006)
www.traditionalmass.org
www.SGGResources.org



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Friday, July 15, 2016

Os Bispos da linhagem Thuc

Durante uma conversa com Mons. Marcel Lefebvre, em 1980, dei a entender que me preocupava encontrar algum bispo logo após sua morte que pudesse ordenar sacerdotes católicos tradicionalistas e confirmar as nossas crianças.

O Arcebispo - que até então não havia dado indícios de que sagraria bispos algum dia - respondeu-me, com tato, que esse problema também lhe preocupava e que "Deus providebit" (Deus proveria). E ainda completou - com seu típico humor francês - que cada vez que ficava resfriado ou tossia no interior da capela do Seminário de Ecône, quase lhe parecia ouvir aos 80 seminaristas que deixavam de rezar para fazer em silêncio uma só prece fervorosa: "Senhor, que viva ao menos até minha ordenação".

Esta anédota graciosa põe em relevo um grave assunto. Para nós, católicos tradicionalistas, os sacramentos constituem o centro de nossa vida espiritual e a chave de nossa salvação. Sabemos que se desejamos ouvir Missa, receber a Santa Comunhão, receber a absolvição de nossos pecados e ser fortalecidos com a Extrema Unção, necessitamos de sacerdotes, e é de nosso conhecimento que só os bispos podem ordenar sacerdotes.

Pois bem, onde podemos ir buscar um Bispos que ordene sacerdotes católicos tradicionalistas, e garantir assim que a Missa Latina tradicional (a única romana, n.d.t.) continue sendo celebrada em nossos altares?

O laicato e o clero ligados à Fraternidade São Pio X (especialmente os seminaristas ansiosos) já não têm mais com o que preocupar-se (neste sentido pelo menos, n.d.t.). Em 30 de junho de 1988, o Arcebispo Lefèbvre e o Bispo de Campos, Brasil, Antônio de Castro Mayer, sagraram quatro bispos para a Fraternidade São Pio X; desde então, estes bispos ordenam novos sacerdotes para a Sociedade e há pouco (em 1991) sagraram um bispo para suceder a Dom Antônio de Castro Mayer em Campos.

Os bispos de Lefèbvre restringem seus deveres ministeriais meramente às capitais e ao clero, que admite todas as opiniões teológicas da Fraternidade sem questioná-las e que lhes rendem o controle legal de seus bens.

Mesmo assim, estes bispos ordenarão sacerdotes somente aos seminaristas que jurem fidelidade às posturas da Fraternidade.

Muitos sacerdotes tradicionalistas estão em desacordo com as posturas e as políticas da Fraternidade. Assim, dificilmente podemos pensar em um bispo de Lefèbvre se quisermos que as crianças de nossas capelas recebam o Sacramento da Confirmação. Menos ainda poderemos achar um Seminário que forme o clero que nos sucederá algum dia, e supor tão logo que os bispos de Lefèbvre fossem ordenar sacerdotes aos seminaristas que formássemos.

Mas os bispos de Lefèbvre não são a única opção. Nos EE.UU.

existem atualmente seis clérigos católicos tradicionalistas comumente conhecidos como bispos "Thuc" que, diferente dos bispos de Lefèbvre, não pertencem a uma única organização. Trabalham com total independência uns dos outros (como a maioria dos sacerdotes tradicionalistas), ainda que alguns deles se ajudem mutuamente para realizar determinadas tarefas apostólicas.

À semelhança dos sacerdotes católicos tradicionalistas, estes seis bispos Thuc também são um grupo a parte. Cinco deles são homens de mais idade, formados e ordenados sacerdotes antes que as desastrosas mudanças pós-conciliares fizessem sentir seu impacto; um (mais jovem) recebeu uma formação tradicional e foi ordenado segundo o rito antigo muito depois da conclusão do Concílio Vaticano II. Três eram sacerdotes diocesanos; três pertenciam a diferentes ordens religiosas. Quatro dos bispos colaboram gentilmente com distintas capelas e clero católicos fora de suas próprias regiões; dois dos bispos estão completamente distantes, em lugares muito distintos. Destes seis bispos, um deles tem fama, outro não é demasiadamente conhecido, e outros quatro (dois deles sagrados há pouco tempo) são muito bem considerados nos lugares onde desempenham seu apostolado, seja por seus escritos ou pelo ministério sacerdotal.

Os bispos Thuc norteamericanos podem remontar suas sagrações episcopais a um destes dois homens:

- Dom M. L. Guérard des Lauriers, O.P., o ex confessor de Pio XII e professor da Pontifícia
Universidade Lateranense de Roma e do Seminário a Fraternidade São Pio X em Ecône, Suíça (ele foi um de meus professores), e autor da famosa Intervenção Ottaviani (o Breve Exame Crítico do Novus Ordo Missae).



- Dom Moisés Carmona Rivera, sacerdote diocesano procedente de Acapulco, doutor em Teologia e professor do Seminário da mesma diocese, que durante anos disse a Missa tradicional para numerosos fiéis de distintas partes do México.


Em 1981 Dom Guerárd e Dom Carmona foram sagrados bispos por uma mesma pessoa: Dom Pedro Martinho Thuc (†1984), Arcebispo de Hue, Vietnã.

Dom Pedro Thuc - nomeado pelo Papa Pio XI e sagrado bispo em 1938 - foi o fundador da Diocese de Vinh-long. Em 1963, enquanto estava em Roma para assistir ao Concílio Vaticano II, seu irmão, Ngo-dinh-Diem, Presidente do Vietnã do Sul, foi derrocado e assassinado durante um Golpe de Estado. Não podendo voltar ao Vietnã e sendo marginalizado no Vaticano, Dom Pedro Thuc teve que sobreviver a duras penas como sacerdote assistente em distintas paróquias dos arredores de Roma.

Aparentemente, seu interesse pelo movimento tradicionalista havia começado em princípios de 1975, quando visitou o Seminário de Mons. Lefèbvre em Ecône, Suíça. O episódio resultou em ser e não ser uma benção ao mesmo tempo, pois foi lá que Dom Thuc fez amizade com o Pe M. Revaz, antigo Chanceler da diocese suíça de Sion e professor de direito Canônico no Seminário de Ecône. Mais tarde o Pe Revaz, um dos braços de Dom Lefèbvre, convenceu a Dom Thuc de que a solução dos problemas da Igreja se achava numas supostas "aparições marianas" no Palmar de Troya, Espanha, e insistiu com o Arcebispo que consagrasse bispos destinados aos seguidores do Palmar que desejavam conservar a Missa tradicional. Dom Thuc aceitou e realizou as consagrações em dezembro, mas, no ano seguinte, repudiou sua ligação com o Palmar de Troya. (EINSICHT nº 11,março de 1982: "Eu não tenho mais relações com o Palmar desde que seu chefe se proclamou Papa. Eu desaprovo tudo o que fazem.")

Os católicos tradicionalistas que argumentam sobre as ações posteriores de Dom Thuc dentro do movimento tradicionalista pertenceriam a dois campos contrários. O primeiro grupo o canoniza, retratando-o como um valoroso herói que, invariavelmente, rechaçou todos os erros da Igreja Conciliar. O segundo grupo o injuria, pintando-o como um pobre velho tonto que carecia do estado mental necessário para conferir um sacramento.

Ambos grupos estão equivocados. Por um lado, mesmo dizendo a Missa tradicional, Dom Thuc dificilmente seria um outro Atanásio. Suas ações e declarações sobre a situação da Igreja eram, como as de Dom Lefèbvre, contraditórias e mistificadoras. E também, à semelhança de Dom Lefèbvre, aparentemente aceitou um acordo com o Vaticano para logo mudar de opinião. Por outro lado," vai e vens" teológicos e os erros de juízo prático simplesmente demonstram que determinado Arcebispo (cada qual eleja o que desejar) é humano e falível. Isso não prova que tenha perdido a capacidade mental mínima requerida para administrar um sacramento validamente*.


Padre Anthony Cekada


* Em suas sagrações estavam presentes pessoas idôneas que atestaram a sua sanidade mental. Além disso, Mons. Thuc seguiu rigorosamente o Pontifical antigo, lendo tudo em latim, o que um débil mental não faria.


Artigo visto primeiro aqui.


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