A Igreja não tem garantias de que ela sempre terá um papa (sem interrupções); mas quando ela possui um, é garantida à ela um que seja Católico.
Saturday, February 22, 2025
Sunday, October 23, 2022
Monday, October 17, 2022
Wednesday, June 15, 2022
Monday, June 13, 2022
Sucessão Apostólica depois do Papa Pio XII: Onde está a Hierarquia Católica?

Original em Inglês no Novus Ordo Watch Blog
Nas últimas semanas tem havido uma considerável controvérsia na internet entre sedevacantistas em relação a chamada “Tese Material/Formal” sobre o status da hierarquia Novus Ordo, especialmente seus ditos “papas”. Alguns se apegam firmemente a esta tese porque acreditam que ela é significativamente útil ou mesmo essencial para uma compreensão adequada da situação atual da Igreja Católica, enquanto outros a repudiam porque a julgam errônea ou mesmo perigosa para a fé. Há também aqueles “no meio” que subscrevem ou não a tese, mas simplesmente a consideram como uma possível opção teológica pela qual não seria prudente gastar muito tempo querelando.
A tese, que foi formulada inicialmente pelo teólogo Dominicano e futuro Bispo sedevacantista Michel-Louis Guérard des Lauriers, O.P. (1898-1988), recebeu vários outros apelidos ao longo dos anos, entre eles “Tese Cassiciacum” e “Sedeprivacionismo”. Mais recentemente, ela passou a ser conhecida simplesmente como “a Tese”. Nesta postagem, vamos nos referir a ela como a “Tese Material/Formal”, abreviada como “TMF”.
Em essência, essa tese bastante complexa sustenta que, embora os “Papas” depois de Pio XII não sejam verdadeiros Papas, eles, no entanto, eleitos em conclave, possuem uma designação legal para o pontificado Romano e, por isso, automaticamente se tornariam Papas se eles renunciassem às suas heresias e se convertessem ao Catolicismo. Eles são, em certo sentido, “papas eleitos” – legalmente escolhidos e designados para serem papa, mas incapazes de serem realmente papas por causa de um obstáculo que voluntariamente colocaram no caminho, a saber, a intenção de mudar a Fé Católica promulgando falsas doutrinas, ritos litúrgicos prejudiciais e leis disciplinares malignas.
Esta tese (TMF), que muitas vezes é mal compreendida por pessoas que não estão familiarizadas o suficiente com as necessárias distinções filosóficas e teológicas nas quais se baseia e, portanto, rapidamente descartadas por elas, na verdade repousa em consideráveis fundamentos teológicos e filosóficos. Isso não quer dizer que seja necessariamente correta; mas é dizer que seria injusto simplesmente descartar e denunciá-la sem dar-lhe uma audiência justa.
O representante mais conhecido da TMF nos Estados Unidos, e possivelmente no mundo, é o Bispo Donald J. Sanborn. Ele explica a teoria para os leigos no seguinte artigo de 10 páginas:
Outros clérigos sedevacantistas mais ou menos conhecidos que aderem ao TMF incluem Bp. Joseph Selway, Bp. Geert Jan Stuyver, Bp. Roberto Neville, Pe. Francisco Ricosa, Pe. Arnold Trauner, e Pe. Nicolás Despósito.
Por outro lado, clérigos sedevacantistas mais ou menos conhecidos que não aderem a TMF incluem Bp. Mark Pivarunas, Bp. Daniel Dolan, Bp. Clarence Kelly, Pe. William Jenkins, Pe. Stephen McKenna e os padres Francisco e Dominic Radecki. Uma breve crítica da TMF foi recentemente publicada pelo Pe. Vili Lehtoranta e pode ser encontrada aqui:
Como apontado no parágrafo de abertura, a TMF tende a polarizar: alguns estão tão firmemente apegados a ela que sustentam que somente ela é a posição correta, com exclusão de todas as outras. No oposto extremo estão aqueles que insistem que a TMF é tão falha que sob nenhuma circunstância pode ser admitida.
Para deixar claro: O "Novus Ordo Watch" é neutro sobre o assunto (*e o "Non Habemus Papam" também), pelo menos por enquanto. Não condenamos a TMF, nem a endossamos. Ao invés disso, gostaríamos de facilitar a discussão caridosa e a exploração da questão e/ou posições alternativas viáveis, no espírito de São Paulo: “examinai todas as evidências, retende o que é bom (1Ts 5:21).
O objetivo da presente postagem não é convencer as pessoas da verdade da TMF, nem de sua falsidade; é, antes, informar às pessoas que o problema teológico que a TMF procura resolver é uma dificuldade genuína que precisa de uma resposta teológica. A TMF pode ser, ou não, a resposta correta – é disso que se trata o desacordo – mas seria errado simplesmente ignorar o problema que ela procura resolver e fingir que ele não tenha importância.
Aqui não queremos dizer, é claro, que todo Católico seja obrigado a tentar resolver esse enigma teológico. Não, para o leigo médio bastará compreender que em nossos dias existem algumas dificuldades teológicas ainda a serem resolvidas que, entretanto, podemos relegar à categoria de “mistério”, por assim dizer. Não obstante, permanecem dificuldades genuínas e, como tal, exigem uma resolução teológica. Portanto, não é errado, mas bastante louvável, que os doutos da Sagrada Teologia, especialmente o clero, tentem oferecer uma solução.
SUCESSÃO. Apostolicidade de origem e de doutrina são facilmente compreendidas sem maiores explicações, mas algum conhecimento de sucessão é necessário para uma concepção adequada de apostolicidade do ministério. A sucessão, usada neste contexto, é o seguimento de uma pessoa após a outra em uma posição oficial, e pode ser legítima ou ilegítima. Os teólogos chamam uma de sucessão formal; e a outra, de material. Um sucessor material é aquele que assume a posição oficial do outro contrário às leis ou à constituição da sociedade em questão. Ele pode ser chamado de sucessor na medida em que de fato ocupe o cargo, mas não possui autoridade, e seus atos não têm valor oficial, ainda que desconheça a posse ilegal de seu cargo.
Um sucessor formal ou legítimo não apenas sucede no lugar de seu antecessor, mas também recebe a devida autoridade para exercer as funções de seu cargo com força obrigatória na sociedade. É evidente que a autoridade só pode ser transmitida por sucessão legítima; portanto, a Igreja deve ter uma sucessão legítima ou formal de pastores para transmitir a autoridade apostólica de geração em geração. Aquele que se intromete no ministério contra as leis da Igreja não recebe autoridade e, consequentemente, não pode transmiti-la a seus sucessores.
POTÊNCIA DUPLA. A sucessão na Igreja difere daquela de outras sociedades pelo fato de que há um duplo poder de transmissão — o poder das Ordens e o poder de jurisdição ou governo. O poder das Ordens é puramente espiritual e diz respeito diretamente à concessão da graça; é obtido pelo Sacramento da Ordem validamente recebido e não pode ser revogado por nenhum poder da Igreja. Por esta razão, o poder das Ordens pode ser obtido por fraude ou conferido contra a vontade da Igreja por qualquer pessoa que possua Ordens válidas e, portanto, não depende de sucessão legítima.
A jurisdição é a autoridade para governar e deve ser transmitida na Igreja como em qualquer outra sociedade; só pode ser conferida por superior legítimo, de acordo com a constituição e as leis da sociedade, e pode ser revogada a qualquer tempo. Conseqüentemente, a jurisdição na Igreja não pode ser obtida nem mantida contra a vontade de sua autoridade suprema; a sua transmissão depende inteiramente da sucessão legítima. Não é suficiente, portanto, que uma igreja tenha Ordens válidas; também deve ter uma sucessão legítima de ministros, voltando em uma linha ininterrupta aos Apóstolos, a quem Nosso Senhor conferiu toda autoridade para governar Sua Igreja.
UNIÃO COM ROMA. Ninguém pode ser um sucessor legítimo, em nenhuma sociedade, a menos que receba a devida autoridade nela; segue-se, portanto, que não pode haver sucessor legítimo na Igreja de Cristo que não tenha recebido jurisdição direta ou indiretamente de sua autoridade suprema. Mas, como será provado em outro lugar, a autoridade suprema na Igreja de Cristo foi confiada a São Pedro e seus legítimos sucessores, aos bispos de Roma: consequentemente, toda sucessão legítima, ou Apostolicidade do ministério na Igreja, depende da comunhão com a Cátedra de Pedro, e ela é perdida no momento em que a comunhão é rompida. Portanto, nenhuma parte específica da Igreja é indefectivelmente apostólica, exceto a Sé de Pedro, que é universalmente conhecida por eminência como a Sé Apostólica.
(Rev. E. Sylvester Berry, The Church of Christ: An Apologetic and Dogmatic Treatise [St. Louis, MO: B. Herder Book Co., 1927], pp. 139-141; italics given; underlining added.)
Tudo isso faz total sentido. Assim como a Igreja Católica é garantida por Deus para manter sempre a verdadeira Fé, também é garantido a ela sempre ter pastores lícitos, pelo menos num certo sentido restrito (que será explorado mais adiante). A Igreja não é meramente um receptáculo passivo da verdade divinamente revelada. A missão que Cristo lhe deu é a de ensinar, governar e santificar, que são tarefas realizadas por uma hierarquia de pastores unidos sob um pastor supremo, o Papa:
Por isso o Concílio Vaticano I ensinou:
(Vaticano I, Constituição Dogmática Pastor Aeternus, prólogo; Denz. 1821; sublinhado adicionado.)
Da mesma forma, o Papa Leão XIII:
A natureza perpetuamente hierárquica da Igreja não implica, no entanto, que a Igreja deva sempre ter um Papa reinando ou que seus cargos hierárquicos devam ser sempre preenchidos. De fato, o teólogo pré-Vaticano II, Pe. Emil Dorsch, abordou esta questão da seguinte forma:
Assim, a Igreja é então de fato um corpo sem cabeça, mas permanece um corpo monárquico, porque o poder pelo qual [ele] é então governada, é o poder que brotou de um Romano Pontífice e, assim sendo, está subordinada ao poder do primado, que deve ser restituído a ela, por uma estrita necessidade, o mais rápido possível. Tal ordem não é verdadeiramente democrática nem aristocrática.
Sua forma monárquica de governo permanece, embora de uma maneira diferente - isto é, permanece incompleta e a ser completada. A ordenação do todo à submissão ao seu Primaz está presente, embora a submissão real não esteja. Por esta razão, diz-se com razão que a Sé de Roma permanece após a morte da pessoa sentada nela — pois a Sé de Roma consiste essencialmente nos direitos do Primado. Esses direitos são um elemento essencial e necessário da Igreja. Com eles, aliás, a Primazia continua, pelo menos moralmente. A presença física perene da pessoa da cabeça, no entanto, não é tão estritamente necessária.
(Aemil Dorsch, Institutiones Theologiae Fundamentalis, vol. II: De Ecclesia Christi [Innsbruck: Felix Rauch, 1928], pp. 196-197; itálico e sublinhado adicionados. A maior parte desta tradução fornecida pelo Pe. Anthony Cekada.)
Segundo, não acreditamos em uma “igreja sedevacantista”. Não existe “igreja sedevacantista”, existe apenas a Igreja Católica Romana, aquela que foi pastoreada pelo Papa Pio XII (m. 1958). Os sedevacantistas simplesmente se consideram remanescentes dessa Igreja, os verdadeiros católicos que se recusaram a mudar de religião quando os modernistas, que já estavam sentados no “próprio seio” da Igreja durante o reinado do Papa São Pio X no início do século XX (Encíclica Pascendi , n. 2), conseguiram o seu plano de instalar uma série de falsos papas enquanto a Sé Apostólica, na verdade, permaneceu vazia. Desta forma, eles foram capazes de garantir que sua “operação de erro” (2Ts 2:10) pudesse ser desencadeada sem a interferência do retentor divinamente designado, “que agora detém … até que seja tirado do caminho” ( 2Ts 2:7). A série de palestras do Cardeal Henry Manning em 1861 sobre o Papa e o Anticristo é muito perspicaz sobre isso:
Mas agora é hora de examinar mais detalhadamente a maneira pela qual a TMF procura fornecer uma resposta teologicamente sólida ao problema da sucessão apostólica desde a morte do Papa Pio XII.
A forma como a “Tese” professa salvar a linha contínua de sucessão apostólica
Não tentaremos aqui uma exposição completa da TMF, o que foi feito em outros lugares por seus adeptos. Neste post vamos simplesmente fornecer um esboço com detalhes suficientes para que as pessoas possam entender sua essência sem ter muita dificuldade.
Em primeiro lugar, será útil recordar novamente o que o Pe. Berry escreveu sobre sucessão apostólica, como citado anteriormente:
Um sucessor formal ou legítimo não apenas sucede no lugar de seu antecessor, mas também recebe a devida autoridade para exercer as funções de seu cargo com força obrigatória na sociedade. É evidente que a autoridade só pode ser transmitida por sucessão legítima; portanto, a Igreja deve ter uma sucessão legítima ou formal de pastores para transmitir a autoridade apostólica de geração em geração. Aquele que se intromete no ministério contra as leis da Igreja não recebe autoridade e, consequentemente, não pode transmiti-la a seus sucessores.
O dogma da Trindade, por exemplo, é simples: há três Pessoas em um só Deus. Mas a explicação teológica de como existem três Pessoas em um Deus é extremamente complicada e difícil. Pois a teologia deve respeitar duas coisas aparentemente contraditórias: a unidade da essência divina e a trindade das Pessoas. Se um leigo lesse uma explicação da Trindade em um livro do seminário, ele fecharia o livro depois de alguns parágrafos.
A tese … é uma explicação teológica da situação da autoridade após o Vaticano II. Ela quer apresentar um sistema que faça duas coisas: (1) mostre por que os “papas” do Vaticano II não têm autoridade e, portanto, não são papas verdadeiros, e (2) mostrar como a linha ininterrupta de papas de São Pedro continua [até os dias atuais]. Ambas as afirmações, como dissemos, são exigidas pelo dogma católico.(Sanborn, “Explicação da Tese”, p. 5)
Outro elemento essencial da TMF, não mencionado acima, é a forte ênfase que se coloca no fato de que o que estamos acostumados a chamar de “Igreja do Novus Ordo” (“Igreja do Vaticano II”, etc.), nunca ter tido uma declaração legal da autoridade católica legítima, como temos sobre os Ortodoxos Orientais ou Luteranos. Isso, pelo menos de acordo com a TMF, tem importantes ramificações legais:
A TMF, então, salva a continuidade da sucessão apostólica ao localizar seu elemento material na designação legal ao Papado que é possuída pelos falsos papas (e a designação legal ao ofício de bispo que é possuída por seus “bispos”).
Além disso, a TMF localiza o elemento formal da sucessão apostólica no fato de que a Igreja mantém a capacidade de recuperar sua cabeça visível, o Papa, de uma das três maneiras: (a) o próprio falso papa remove o obstáculo que viciou sua validade de aceitação do cargo para o qual possui uma designação legal (em outras palavras, o falso papa se converte publicamente ao catolicismo); (b) os eleitores que lhe deram a designação retiram-lhe esta designação e procedem a um novo conclave; (c) após a morte do atual falso papa, os eleitores do próximo conclave escolhem um verdadeiro católico, um homem que não ponha um obstáculo no caminho da aceitação válida do papado.
Assim, pode-se dizer que os “Papas do Novus Ordo” e seus “bispos” possuem sucessão material de fato e sucessão formal potencialmente. Desta forma, a TMF explica como a Igreja Católica ainda mantém a sucessão apostólica.
Mais informações sobre o fenômeno dos conclaves self-services podem ser encontradas neste artigo de um blogueiro sedevacantista:
Outro exemplo de uma forçada pseudo-solução é a dos semi-trads. Sua absurda posição de reconhecer e resistir reduz a Igreja Católica a uma instituição humana que não só é completamente falível e completamente não confiável como mestre da verdade divinamente revelada, mas que de fato falhou em sua missão essencial e continuamente desvia as almas. Tal instituição pode ser um monte de coisas, talvez até a Prostituta da Babilônia, “com quem os reis da terra se prostituíram” (Ap 17:2); mas certamente não é a “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3:15), a Imaculada Noiva de Cristo, aquela “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante; mas para que seja santa e sem defeito” (Ef 5:27).
Já vimos que o Papa Leão XIII rejeitou a noção da Igreja como “uma instituição humana que reivindica uma certa obediência na disciplina e nos deveres externos, mas que está sem a comunicação perene dos dons da graça divina, e sem tudo o que testemunha por sinais constantes e indubitáveis da existência daquela vida que vem de Deus” (Encíclica Satis Cognitum, n. 3), e, no entanto, isso parece descrever a Igreja em que os semi-trads acreditam com bastante precisão.
De fato, a apostasia da Igreja Novus Ordo – isto é, o afastamento da Fé Católica do Papa Pio XII e seus predecessores – é, de uma forma ou de outra, praticamente admitida por todos, exceto por um punhado de Novus Ordos obstinados (Ex. websites Catholic answers ou Where Peter is), que tentará quadrar o círculo, se for preciso, para fazer o Vaticano modernista parecer católico. aqui estão alguns exemplos:
Pela parte dos secularistas e liberais do Novus Ordo, não existe nenhum problema em admitir que a “Igreja Católica” de hoje é uma instituição humana defeituosa, já que eles não acreditam realmente na doutrina católica sobre a Igreja ou qualquer outra coisa de qualquer maneira, exceto naquilo em que pessoalmente concordam com a mesma.
O reconhecimento dos semi-trads sobre a necessidade de salvar a sucessão apostólica é louvável, mas suas abordagens são totalmente invertidas: Cristo estabeleceu uma hierarquia por causa da fé católica, Ele não estabeleceu a fé católica por causa da hierarquia (cf. . Mc 2:27). Uma hierarquia católica infiel (aqui no sentido de verdadeira sucessão apostólica formal, que os semi-trads acreditam que os pseudo-pastores modernistas têm) seria uma contradição em termos tanto quanto um círculo quadrado, e seria tão inútil quanto sal que perdeu o sabor (cf. Mt 5,13). Mais ainda, seria muito perigoso, como cego guiando cego (cf. Mt 15,14), ou pior ainda, como aquele “pouco fermento que corrompe toda a massa” (1 Cor 5,6). Não, de fato, seriam os “falsos apóstolos” que São Paulo denuncia como “obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (2 Cor 11,13), e não melhores do que os “mestres mentirosos” dos quais o Papa São Pedro advertiu: “que introduzirão seitas de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si uma rápida destruição” (2 Pe 2:1) – e não apenas sobre si mesmos, mas sobre todos aqueles que os seguem.
Quão perigoso é reconhecer falsos pastores como verdadeiros é exemplificado pela própria necessidade incessante de resistência dos semi-trads a eles [da hierarquia] em todos os níveis, para que não sejam contaminados e corrompidos pelas falsas doutrinas, disciplinas malignas e liturgias sacrílegas de seus pastores. A insana extensão em que esse resistir-enquanto-reconhecem aumentou ao longo das décadas é exemplificada no recente artigo de Robert Morrison denunciando “Newchurch”.
Que tentativa séria de solução teológica o lado não aderente da TMF (os “totalistas”) oferecem? Nenhuma, pelo visto.
Que eu saiba, nunca vi nenhum totalista sequer abordar o problema da apostolicidade na crise atual. Eles geralmente respondem com: “Deus cuidará disso”. Sim, Ele irá, mas Deus-cuidará-disso não é Teologia Sagrada. A Igreja não respondeu às objeções à Trindade dizendo “De uma forma ou de outra Ele é três Pessoas em um só Deus”, mas cuidadosamente, pelo trabalho dos santos Doutores e, finalmente, em declarações magisteriais, definiu certas verdades sobre a Trindade, pelas quais a unidade da essência divina e a trindade das Pessoas são respeitadas.
(Sanborn, “Explicação da Tese”, p. 10)
Mais uma vez, o objetivo deste post não é promover a TMF como a resposta correta para a questão da continuidade da hierarquia, mas encorajar as pessoas a perceberem que o problema que ela aborda é genuíno [e] que requer resolução.
Observações Finais
Senhoras e senhores, estamos vivenciando o que São Paulo chamou de “mistério da iniqüidade” (2 Ts 2,7). Devemos deixar espaço para desacordo caritativo sobre os assuntos que a Igreja não resolveu ou não nos deu uma orientação clara; e é certo que a situação exata pela qual vivemos nos últimos 60 anos é algo que nenhum teólogo imaginou ou provavelmente considerou possível. Só por essa razão, a confusão e o desacordo sobre isso não devem nos desencorajar – aliás, isso deve [praticamente] ser esperado.
O artigo a seguir será um grande consolo para todos os que precisam de algum encorajamento em nossa aflitiva situação eclesial. Isso explica por que uma falta acidental de unidade entre os sedevacantistas, em certas questões, não pode ser algo para se perder o sono, muito menos a Fé:
Nas lutas que estamos enfrentando para dar sentido ao que aconteceu com aquela magnífica Igreja Católica outrora pastoreada pelo Papa Pio XII, devemos ter em mente a importância e a natureza da virtude da Fé. Devemos acreditar firmemente que a Igreja não pode perecer, assim como não pode desviar as almas a perdição. Portanto, devemos rejeitar qualquer noção segundo a qual a Igreja deixou de existir ou desertou. Condenando os chamados Vétero Católicos que repudiaram a definição de infalibilidade papal do Concílio Vaticano I, o Papa Pio IX escreveu em 1873:
Friday, March 25, 2022
Wednesday, March 9, 2022
Saturday, February 5, 2022
Padre Ernesto Cardoso
Wednesday, February 2, 2022
Heresia do antipapa Francisco elevada a Satanismo aberto
Antipapa Bergoglio: “(…) vamos imaginar aqueles que rejeitaram a Fé, que são apóstatas, que são perseguidores da Igreja, que negaram seus batismos: “Esses também se encontram em casa?” Sim, esses também. Os blasfemadores… todos. Nós somos irmãos. Isso é a Comunhão dos Santos.”
Thursday, January 27, 2022
Sunday, October 24, 2021
Porque os Novos Bispos não são Verdadeiros Bispos
"Resumo do artigo do Padre Cekada refutando a afirmação da FSSPX de que os bispos do Novus Ordo sejam bispos válidos."
OS LEITORES da Revista Angelus [da FSSPX] provavelmente
ficaram surpresos no ano passado quando receberam a edição de dezembro de 2005, com seu artigo intitulado “Por que o novo rito da sagração episcopal é válido”. Como pode tamanho absurdo? E por que uma revista tradicionalista, publicada pela FSSPX, colocava na capa bispos concelebrantes do Novus Ordo?
“Portanto, agora derrame sobre este escolhido aquele poder que provém de você, o Espírito governante que você deu ao seu amado Filho, Jesus Cristo, o Espírito dado por ele aos santos apóstolos, que fundaram a Igreja em todos os lugares para ser o seu templo para a glória incessante e louvor do seu nome. ”
(5) Dom Bernard Botte, o modernista que foi o principal criador do novo rito, sustentou que, para o cristão do século III, o Espírito governante conotava o episcopado, porque os bispos têm “o espírito de autoridade” como “governantes da Igreja. ” Spiritus principalis significa “o dom de um Espírito próprio de um líder”. Tuesday, June 16, 2020
Sunday, March 8, 2020
A Missa 'Una Cum'
Estou certo de que a maioria de vocês estão familiarizados com a nossa estrita postura quanto à participação na Missa 'Una Cum'. Nós, do clero do Instituto Católico Romano, consideramos que é objetivamente um sacrilégio participar ativamente de uma missa na qual Bergoglio (ou o bispo local do Novus Ordo) ) é mencionado no cânone.
Deixe-me demonstrar os motivos. Para que uma Missa seja uma Missa Católica, não basta que seja meramente válida, mas também deve ser oferecida em união com, e em submissão e obediência à hierarquia da Igreja Católica. Assim como você não pode separar o catolicismo da hierarquia católica, também não pode divorciar a missa, o ato central de adoração, da hierarquia católica.
Quando um verdadeiro papa está reinando, a Missa deve conter o nome do verdadeiro papa na primeira oração do cânon, o 'Te Igitur.' Se o bispo da Diocese está vivo, seu nome também deve ser pronunciado no mesmo local. É uma profissão de comunhão com o Romano Pontífice e com seu representante, o bispo da Diocese, e, portanto, de submissão e obediência a eles também. Esse gesto pequeno, mas muito importante, é o que distingue uma missa católica de uma missa cismática.
Os cismáticos gregos (chamados de "ortodoxos") têm uma liturgia que é inteiramente católica, pois é a liturgia antiga usada antes do rompimento de Roma. Mas pelo simples fato de deixar de fora o nome do papa, sua Missa, embora válida, não é católica e é sacrílega. Por que sacrílega? Porque fazem uso de uma coisa sagrada, a Santa Eucaristia, de maneira imprópria.
Como é, então, a Missa Católica quando há a vacância na Sé Romana? Para que a Missa seja católica na vacância Romana, é necessário que nenhum nome de papa seja mencionado no Cânon enquanto a Sé estiver vazia. Ainda existe uma profissão de comunhão, submissão e obediência ao Romano Pontífice, na medida em que os fiéis aguardam a eleição de um novo papa, a quem serão devidamente submetidos.
Dito isto, agora vamos ver o caso de Bergoglio. Bergoglio não é essencialmente o verdadeiro Pontífice Romano. A razão é que ele promulgou heresias para a Igreja e condenou doutrinas em seu magistério. O dom de indefectibilidade, doutrina, adoração e disciplina da Igreja, torna impossível que um papa verdadeiro engane os fiéis por falsas doutrinas e por liturgia maligna. A indefectibilidade diz respeito à fé e, consequentemente, devemos concluir, diretamente da fé, que é impossível que Bergoglio seja papa, portanto, é necessário que seu nome não apareça no Cânon. Somente assim a Missa seria uma Missa Católica. Pois colocar o nome de um falso papa no Cânon da Missa é torná-la uma missa cismática.
Devo dizer aqui que tenho certeza de que quase todos os que assistem à Missa 'Una Cum' o fazem com boas intenções. Eles ignoram esses princípios e apegam-se apenas a uma vaga idéia de permanecer fiéis ao papa. Se for esse o caso, eles são dispensados do pecado.
Uma causa de escusa, no entanto, não é uma causa justificável. Esse é um princípio da teologia moral, que significa que a ignorância dispensa da culpa, mas não justifica o ato. Se um homem atira em algo que se move na floresta, pensando ser um cervo, e na verdade é um homem, ele é dispensado da culpa, mas seu ato não é justificável. Em si, é um ato ruim.
O que anda de mãos dadas com a Missa 'Una Cum', e que na maioria dos casos é oriundo da Fraternidade São Pio X, é a doutrina do "Reconhecer e Resistir", que necessariamente flui de sua posição. Pois, por um lado, professam submissão a Bergoglio, mas, por outro lado, resistem a ele em praticamente todas as coisas, como se ele não existisse.
Reconhecer e resistir é cismático. O Papa Pio IX disse isso. Na Encíclica Quartus Supra, de 6 de janeiro de 1873, ele disse a um grupo de Armênios que afirmavam ser católicos, mas que não sentiam que deveriam obedecer o papa:
O mesmo Papa Pio IX, na Encíclica Quæ in patriarchatu, de 1º de setembro de 1876, dirigiu desta vez a alguns Caldeus que estavam reivindicando submissão ao papa, mas que ignoravam suas ordens:
Em ambos os casos, portanto, sua Missa é cismática, e aqueles que dela participam ativamente estão cometendo objetivamente um pecado mortal.
Reviso essas explicações com nossos fiéis, pois eles devem entender os fundamentos de nossa posição. Muitos tentam dizer: "Bem, mas é justificável ir à Missa 'Una Cum' se você precisar dos sacramentos e não fizer nada além disso".
Isso é falso, porque nunca se pode, em nenhuma circunstância, postular um ato cismático.



