A Igreja não tem garantias de que ela sempre terá um papa (sem interrupções); mas quando ela possui um, é garantida à ela um que seja Católico.
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Sunday, March 8, 2020

A Missa 'Una Cum'

[Extraído da edição do Boletim de janeiro do Seminário do MHT] 



Estou certo de que a maioria de vocês estão familiarizados com a nossa estrita postura quanto à participação na Missa 'Una Cum'. Nós, do clero do Instituto Católico Romano, consideramos que é objetivamente um sacrilégio participar ativamente de uma missa na qual Bergoglio (ou o bispo local do Novus Ordo) ) é mencionado no cânone. 

Deixe-me demonstrar os motivos. Para que uma Missa seja uma Missa Católica, não basta que seja meramente válida, mas também deve ser oferecida em união com, e em submissão e obediência à hierarquia da Igreja Católica. Assim como você não pode separar o catolicismo da hierarquia católica, também não pode divorciar a missa, o ato central de adoração, da hierarquia católica. 

Quando um verdadeiro papa está reinando, a Missa deve conter o nome do verdadeiro papa na primeira oração do cânon, o 'Te Igitur.' Se o bispo da Diocese está vivo, seu nome também deve ser pronunciado no mesmo local. É uma profissão de comunhão com o Romano Pontífice e com seu representante, o bispo da Diocese, e, portanto, de submissão e obediência a eles também. Esse gesto pequeno, mas muito importante, é o que distingue uma missa católica de uma missa cismática. 

Os cismáticos gregos (chamados de "ortodoxos") têm uma liturgia que é inteiramente católica, pois é a liturgia antiga usada antes do rompimento de Roma. Mas pelo simples fato de deixar de fora o nome do papa, sua Missa, embora válida, não é católica e é sacrílega. Por que sacrílega? Porque fazem uso de uma coisa sagrada, a Santa Eucaristia, de maneira imprópria.

Como é, então, a Missa Católica quando há a vacância na Sé Romana? Para que a Missa seja católica na vacância Romana, é necessário que nenhum nome de papa seja mencionado no Cânon enquanto a Sé estiver vazia. Ainda existe uma profissão de comunhão, submissão e obediência ao Romano Pontífice, na medida em que os fiéis aguardam a eleição de um novo papa, a quem serão devidamente submetidos.

Dito isto, agora vamos ver o caso de Bergoglio. Bergoglio não é essencialmente o verdadeiro Pontífice Romano. A razão é que ele promulgou heresias para a Igreja e condenou doutrinas em seu magistério. O dom de indefectibilidade, doutrina, adoração e disciplina da Igreja, torna impossível que um papa verdadeiro engane os fiéis por falsas doutrinas e por liturgia maligna. A indefectibilidade diz respeito à fé e, consequentemente, devemos concluir, diretamente da fé, que é impossível que Bergoglio seja papa, portanto, é necessário que seu nome não apareça no Cânon. Somente assim a Missa seria uma Missa Católica. Pois colocar o nome de um falso papa no Cânon da Missa é torná-la uma missa cismática.

Devo dizer aqui que tenho certeza de que quase todos os que assistem à Missa 'Una Cum' o fazem com boas intenções. Eles ignoram esses princípios e apegam-se apenas a uma vaga idéia de permanecer fiéis ao papa. Se for esse o caso, eles são dispensados ​​do pecado.

Uma causa de escusa, no entanto, não é uma causa justificável. Esse é um princípio da teologia moral, que significa que a ignorância dispensa da culpa, mas não justifica o ato. Se um homem atira em algo que se move na floresta, pensando ser um cervo, e na verdade é um homem, ele é dispensado da culpa, mas seu ato não é justificável. Em si, é um ato ruim.

O que anda de mãos dadas com a Missa 'Una Cum', e que na maioria dos casos é oriundo da Fraternidade São Pio X, é a doutrina do "Reconhecer e Resistir", que necessariamente flui de sua posição. Pois, por um lado, professam submissão a Bergoglio, mas, por outro lado, resistem a ele em praticamente todas as coisas, como se ele não existisse.

Reconhecer e resistir é cismático. O Papa Pio IX disse isso. Na Encíclica Quartus Supra, de 6 de janeiro de 1873, ele disse a um grupo de Armênios que afirmavam ser católicos, mas que não sentiam que deveriam obedecer o papa:


"De fato, é tão contrário à constituição divina da Igreja, como à tradição perpétua e constante, que alguém tente provar a catolicidade de sua fé e realmente se considerar católico, quando se falha na obediência à Sé Apostólica. 

Pois a Igreja Católica sempre considerou cismáticos todos aqueles que obstinadamente resistem à autoridade de seus prelados legítimos, e especialmente seu pastor supremo, e qualquer um que se recusa a executar suas ordens e até mesmo a reconhecer sua autoridade. Os membros da facção Armênia de Constantinopla, seguindo essa linha de conduta, ninguém, sob qualquer pretexto, pode acreditar que eles sejam inocentes do pecado do cisma, ainda que não tenham sido denunciados como cismáticos pela autoridade apostólica." [ênfase adicionada]

O mesmo Papa Pio IX, na Encíclica Quæ in patriarchatu, de 1º de setembro de 1876, dirigiu desta vez a alguns Caldeus que estavam reivindicando submissão ao papa, mas que ignoravam suas ordens:
 
"De que adianta proclamar em voz alta o dogma da supremacia de São Pedro e seus sucessores? De que adianta repetir diversas vezes declarações de fé na Igreja Católica e de obediência à Sé Apostólica, quando as ações desmentem essas belas palavras? Além disso, não seria a rebeldia prestada ainda mais indesculpável pelo fato da obediência ser reconhecida como um dever? Ademais, a autoridade da Santa Sé não se estende, como sanção, às medidas que fomos obrigados a tomar, ou é suficiente estar em comunhão de fé com essa Sé sem acrescentar a submissão da obediência, -- tal qual não pode ser mantida sem prejudicar a Fé Católica?

De fato, Veneráveis ​​Irmãos e filhos amados, é uma questão de reconhecer o poder [desta Sé], mesmo sobre suas Igrejas, não apenas no que diz respeito à fé, mas também no que diz respeito à disciplina. Aquele que nega isso é um herege; aquele que reconhece isso e obstinadamente se recusa a obedecer é digno de anátema." [ênfase adicionada]

O ponto é que a posição da Fraternidade São Pio X, reconhecendo Bergoglio como papa, mas agindo ao mesmo tempo como se ele não existisse, fazem-os cair sob essas severas condenações do Papa Pio IX. A participação em sua Missa 'Una Cum', portanto, é uma profissão aberta do que é precisamente condenado pelo Papa Pio IX. A FSSPX está perante um dilema. Pois, ou Bergoglio é papa, ou não é papa. Se ele for papa, a Missa 'Una Cum' da FSSPX é cismática, uma vez que não é autorizada por ele. Se ele não for papa, a Missa 'Una Cum' da FSSPX é cismática porque é oferecida em união com um falso papa. Pois, apesar de quaisquer concessões que tenham sido dadas à FSSPX, seus padres permanecem suspensos, seu apostolado não é autorizado e, se Bergoglio for papa, é um pecado mortal toda vez que eles rezam a Missa.

Em ambos os casos, portanto, sua Missa é cismática, e aqueles que dela participam ativamente estão cometendo objetivamente um pecado mortal. 

Reviso essas explicações com nossos fiéis, pois eles devem entender os fundamentos de nossa posição. Muitos tentam dizer: "Bem, mas é justificável ir à Missa 'Una Cum' se você precisar dos sacramentos e não fizer nada além disso". 

Isso é falso, porque nunca se pode, em nenhuma circunstância, postular um ato cismático.




Tuesday, February 7, 2017

Novos-velhos argumentos dos "Reconhecer & Resistir" (FSSPX, Resistência, etc.)

Dado o grande número de pessoas que a cada dia vão acordando para a triste realidade/reconhecimento a respeito da vacância da Sé, parece que os aderentes da posição R&R vão se encontrando mais e mais incomodados. Muitos deles se incomodam porque eles realmente acreditam poder "reconhecer" o papa, ainda que não obedecendo-o em absolutamente nada. Outros porque se preocupam com a parte política-financeira e a perda substancial de fiéis. A intenção do artigo é apontar seus erros, e não tentar decifrar quais deles erram honestamente e quais erram por maldade, isso compete a Deus. Dito isso, passemos a responder um dos últimos ataques, afinal, olhando rapidamente, eles podem parecer ir contra o sedevacantismo, quando, na verdade, não passam de julgamento temerário ou de uma total ignorância sobre o que se baseia a posição sedevacantista.


Argumento #1


"Omitir o nome do Papa no Cânon da Missa é equivalente a declarar-se fora da Igreja, e tal atitude tornaria a Missa mutilada e incompleta." (Papa Pelágio I) [1]


Resposta:

Ora, nenhum sedevacantista nega que se alguém retirar o nome "do Papa" do Cânon da Missa, tal ato seria cismático e faria a Missa ser, neste caso, "mutilada e incompleta". Acontece que Bergoglio "não é papa"; ou seja, tais pessoas desconsideram a própria essência do que veio a ficar conhecido como "Sedevacantismo"; ou seja, a posição de que a Santa Sé encontra-se vacante porque hereges públicos não são católicos, e não-católicos não fazem parte da Igreja, e "aqueles que não fazem parte da Igreja, não podem ser sua cabeça". Portanto, não há como eles retirarem o nome "do papa" de coisa alguma, já que não há nenhum papa reinante. Hereges manifestos vestidos de branco em Roma não significa que "habemus papam".

“Seria absurdo pretender que um homem excluído da Igreja tenha autoridade na Igreja” (Papa Leão XIII, Satis Cognitum, § 75) (1896)

“Esse princípio é certíssimo. O não-cristão não pode, de maneira alguma, ser Papa, coisa que o próprio Caetano admite (lib. c. 26). A razão disso é que um indivíduo não tem como ser cabeça daquilo de que ele não é membro; ora, quem não é cristão não é membro da Igreja, e um herege manifesto não é cristão, tal como foi ensinado claramente por São Cipriano (lib. 4, epist. 2), Santo Atanásio (Scr. 2 cont. Arian.), Santo Agostinho (lib. de great. Christ. cap. 20), São Jerônimo (contra Lucifer) e outros; consequentemente, o herege manifesto não pode ser Papa.” (São Roberto Belarmino, De Romano Pontifice, lib. II, cap. xxx)




Argumento #2

"Catecismo de São Pio X - sobre o nono artigo do Credo dos Apóstolos:

A Igreja em particular

12 Pergunta: As muitas sociedades de pessoas batizadas, mas que não reconhecem o Pontífice Romano como Cabeça, não pertencem, portanto, à Igreja de Jesus Cristo?

R: Não, aqueles que não reconhecem o Pontífice Romano como sua Cabeça não pertencem à Igreja de Jesus Cristo."
[2]


Resposta:

Exato mesmo erro do argumento de número #1. Não reconhecer "o Papa" coloca-nos para FORA da Igreja; ora, qualquer sedevacantista reconhece isto. Acontece que não podemos, por outro lado, reconhecer HEREGES PÚBLICOS como o vigário de Cristo na terra. Gostaria que o pessoal da FSSPX/Resistência percebesse que, "reconhecer" o Pontífice Romano requer muito mais do que simplesmente dizer que o "reconhece" e colocar uma fotografia do mesmo na entrada de suas capelas.

"Agora, como é possível para um homem estar unido com o Vigário de Cristo, se ele rejeita sua autoridade sagrada, se ele viola os direitos em virtude daquilo que o Vigário assegura ser, na cabeça da Igreja, no centro da unidade, possuidor da primazia da ordem e jurisdição, e do divino poder transmitido para ele em toda plenitude de pastorear, reger e governar a Igreja Universal?" [Papa Gregório XVI, Encíclica Commissum divinitus 1835]

"Em erro perigoso estão, pois, aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, Cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao Seu Vigário na Terra." (Papa Bonifácio III, Carta Apostólica Unam Sanctam)

"...estão separados da comunhão da Igreja aqueles que não estão em concordância com a Sé Apostólica". [Papa Pio IX, Letter from the Holy Office, Sept. 16 1864]

"Encontram-se em perigoso erro, portanto, aqueles que pensam poder estar com Cristo, cabeça da Igreja, sem aderir fielmente ao seu Vigário na terra." [Papa Pio XII, Encíclica Mystici Corporis 1943]

"Ninguém está na Igreja de Cristo, e ninguém permanece nela, a não ser que ele reconheça e ACEITE COM OBEDIÊNCIA a autoridade e poder de Pedro e seus legítimos sucessores". [Papa Pio XI, Encíclica Mortalium Animos, 1928]

Ou seja, será que eles não percebem que, objetivamente falando, são eles que se encontram em "perigoso erro", ou "fora da Igreja", por acreditarem ser possível reconhecer o Vigário de Cristo, mas rejeitar sua "autoridade, seu direito e seu divino poder"???



Argumento #3


"O papa é cabeça da "igreja Conciliar", mas também da Igreja Católica." [3]

Resposta:


O argumento é ilógico e blasfemo, ainda que essa não seja suas intenções.

"Os apóstolos e seus sucessores são vigários de Deus no governo da Igreja, que é construída sobre a fé e os sacramentos da fé. Portanto, da mesma forma que ela não pode instituir uma outra Igreja, ela não pode oferecer uma outra fé, nem instituir outros sacramentos."
[São Tomás de Aquino, Summa Theologica, III, q. 64, art. 2, ad. 3]




Argumento #4


Acreditem ou não, os aderentes do R&R retiram coisas desse tipo da cartola:

"O Papa ou a Igreja? Magistério Ordinário autêntico ou Magistério Falível... " [4]

Resposta:

Deixemos que o Papa Leão XIII ensine-lhes uma lição: 


"Essa é nossa última lição para vocês: receba e grave em suas mentes todos vocês: pelo mandamento de Deus, a salvação não é encontrada em nenhum lugar que não seja na Igreja, o instrumento forte e efetivo da salvação não é nada mais que o Pontificado Romano". [Allocution for the 25th anniversary of his election, 1903]

E o Papa Pio IX também: 


"A Igreja nunca pode ser conciliada com o erro, e o Papa não pode estar separado da Igreja". [Allocution to Roman pilgrims from abroad, November 27, 1871]

"Ubi ergo Petrus, ibi Ecclesia; ubi Ecclesia, ibi nulla mors sed vita aeterna - Aonde está Pedro, aí está a Igreja. Aonde está a Igreja, lá a morte não se encontra, mas a vida eterna." [Santo Ambrósio: In Psalmum XL Enarratio, PL XIV, 1134]

Logo, querer colocar a Igreja e o Vigário de Cristo como coisas distintas, adversárias ou contraditórias é no mínimo ilógico, e objetivamente herético.




Argumento #5


"O papa Francisco é um herege que não possui a fé, nós admitimos, mas nós não podemos julgá-lo, temos que esperar pela Igreja." [5]

Resposta:

"Um papa que se torna um herege manifesto perde automaticamente seu ofício... e toda sua jurisdição". [São Roberto Belarmino, De Romano Pontifice, II, 30]

"Se um papa, como pessoa privada, jamais caísse em heresia, ele cairia de seu pontificado de uma só vez." [Santo Afonso Ligório, Oeuvres Completés. 9:232]

“Seria absurdo pretender que um homem excluído da Igreja tenha autoridade na Igreja” (Papa Leão XIII, Satis Cognitum, § 75) (1896)

“Esse princípio é certíssimo. O não-cristão não pode, de maneira alguma, ser Papa, coisa que o próprio Caetano admite (lib. c. 26). A razão disso é que um indivíduo não tem como ser cabeça daquilo de que ele não é membro; ora, quem não é cristão não é membro da Igreja, e um herege manifesto não é cristão, tal como foi ensinado claramente por São Cipriano (lib. 4, epist. 2), Santo Atanásio (Scr. 2 cont. Arian.), Santo Agostinho (lib. de great. Christ. cap. 20), São Jerônimo (contra Lucifer) e outros; consequentemente, o herege manifesto não pode ser Papa.” (São Roberto Belarmino, De Romano Pontifice, lib. II, cap. xxx)

Canon 188.4, do Código de Direito Canônico de 1917:

“Há certas causas as quais efetuam a tácita (silenciosa) demissão de um posto, cuja demissão é aceita antecipadamente pela operação da lei, e, por conseguinte, são efetivas sem qualquer declaração. Essas causas são… (4) se ele publicamente deserdou da fé.”

Muitas outras citações e exemplos poderiam ser dados, mas creio que estes sejam suficientes no momento.



Argumento #6


"O sedevacantismo não pode estar certo porque Nossa Senhora em Fátima disse que um Papa iria consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, se não há papa, não há consagração; mas como Nossa Senhora não pode falhar, falho então é o sedevacantismo." [6]

Resposta:

Primeiramente, para o Católico, a Revelação Divina (Sagrada Escritura e Tradição) sempre estará a frente da Revelação Privada (Aparições, visões, etc.), caso elas se contradigam.

Consequentemente, sabemos pela Revelação Divina que Deus estabeleceu uma Igreja "Santa", e que Ele prometeu em "perpetuidade" o Seu infalível auxílio através do Espírito Santo a "Pedro e seus sucessores". Logo, se testemunhamos um "Pedro" herege, blasfemo, apóstata, excomungado, sabemos que ele não pode ser o verdadeiro e legítimo Pedro, caso contrário a promessa de Cristo teria sido falsa.

Por outro lado, sabemos que os Modernistas tiveram oportunidades mil para distorcer documentos, omitir segredos e, aparentemente, até inventar uma outra irmã Lúcia para criar uma nova mensagem de Fátima. Logo, o que nos garante que eles não tenham mudado significativamente sua essência ou suas mensagens e segredos? Quem nos garante, por exemplo, que o famoso Terceiro Segredo não seria para alertar-nos sobre esses falsos papas das últimas décadas? Afinal, a data alegada para a sua revelação ("no mais tardar 1960"), coincide com a época em que surgiria o primeiro falso papa (1958). Curioso, não? Quem sabe a verdadeira mensagem de Fátima não esteja mais intimamente ligada com a vacância da Sé do que imaginamos? Eu diria que tal hipótese não é de se descartar...

E, para terminar, o sedevacantismo não nega que poderemos voltar a ter um papa no dia de amanhã, logo, tal consagração poderia ser cumprida sem qualquer problema.



Argumento #7


"Os Sedevacantistas julgam o papa". [7]

Nada mais longe da verdade. Não há como nós, os sedevacantistas, julgarmos o papa se no presente momento não há papa. Se nós tivéssemos, tenha certeza que o obedeceríamos e respeitaríamos. A FSSPX, Resistência e afins, por outro lado, acreditam que estes homens sejam papas, e ainda assim desobedecem, desrespeitam e até caçoam da pessoa que eles chamam de papa.

Acreditem ou não, até abaixo assinado eles fazem para "tentar depô-lo". Como se pudéssemos julgar o Vigário de Cristo na terra (o homem que a Igreja ensina infalivelmente não poder ser julgado por ninguém nesse mundo), com um mero apanhado de assinaturas. Seria risório se não fosse trágico tal atitude. Alguns chegam a ter a audácia de admitir que 'Francisco' venha a ser um anti-papa, ou mesmo o anti-Cristo, mas jamais que a Sé esteja vacante... Isso que eu chamo de uma diabólica contradição.


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[1] Unbrandable @ Cor-Mariae  "[Papa] Pelagius I disse que omiti-lo [una cum famulo] seria equivalente a declarar-se fora da Igreja, enquanto que de acordo com Ennódio de Pavia iria tornar o sacrifício mutilado e incompleto" (The Sacramentary: Historical and Liturgical Notes Sobre o Missal Romano, Ildefonso Schuster, Vol. I, página 273)

[2] Martius @ Cor-Mariae http://cor-mariae.com/index.php?threads/sedevacantism-is-creeping-into-the-false-resistance.4848/


[3] Dominicans of Avrillé e Padre Trincado http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2014/08/una-jerarquia-para-dos-iglesias.html


[4] O delirante e comediante Br. Athanasius/Sean Johnson/Seraphim @ ABLF3 http://ablf3.com/threads/the-authentic-magisterium-saves-us-from-sedevacantism.842/


[5] Padre Chazal a partir do minuto 44:50 @ https://www.youtube.com/watch?v=zkoG3rznTwQ  


[6] 
Fatima Center, Rev. Nicholas Gruner e praticamente todo o restante dos grupos R&R.


[7] Praticamente todo meio relacionado a FSSPX e Resistência usam esse "argumento".


Thursday, November 3, 2016

RESPOSTA AO BISPO WILLIAMSON


A Propósito da Vacância da Sé Romana
(mar. 2014)
Bispo Donald J. SANBORN


Introdução

O bispo Williamson colocou recentemente em seu blogue Kyrie Eleison uma série de artigos tentando refutar o sedevacantismo. Tendo ele atraído para si os mais ferrenhos anti-modernistas da FSSPX, creio que bispo Williamson está encontrando entre eles uma certa tendência para o Sedevacantismo. Alguns deles são sedevacantistas professos, se bem que opinionistas na maioria dos casos; isto quer dizer que, embora estimem que Bergoglio não seja papa, reconhecem que a opinião contrária, de que Bergoglio é o papa, tem alguns argumentos prováveis a seu favor. Tenho certeza de que a minha recente visita à Inglaterra agitou um pouco as coisas também.

No presente artigo, estou respondendo a dois artigos do bispo Williamson de seu blogue, os de número 342 (de 1.º de fevereiro de 2014) e 344 (de 14 de fevereiro de 2014).

Permitam-me declarar que não tenho conflito pessoal algum com o bispo Williamson a despeito de nossos muitos anos de oposição no passado. Ele manteve a discussão em alto nível e racional, pretendo fazer o mesmo.

Resumi e parafraseei os argumentos dele, em prol da brevidade.


O Primeiro Argumento
[Tirado do Número 342]

O bispo Williamson defende a posição do Arcebispo Lefebvre de aceitar os papas Novus Ordo, mas ao mesmo tempo, passando os ensinamentos e leis deles por uma peneira; retendo o que é católico e rejeitando o que é acatólico. Ele diz que fazer isso por escolha pessoal é equivalente a heresia, mas não é equivalente a heresia caso se faça a escolha baseando-se em uma tradição bimilenar.

Resposta. (1) Todo herege apela a alguma forma de revelação, seja da Escritura ou da Tradição, para fazer a sua escolha de doutrina que é contrária ao ensinamento da Igreja Católica. Assim, o católico tradicional, ao escolher doutrina, não fica salvo do espírito de heresia. Por quê? Porque ele apela à Tradição acima do magistério da Igreja. O magistério, porém, é infalível, e portanto é necessariamente tradicional.

(2) A hierarquia católica é a fiadora da conformidade do ensinamento presente com o ensinamento tradicional. Nós não podemos, por um lado, considerá-los como autoridade e, ao mesmo tempo, dizer que a doutrina deles se desvia da Tradição. Desviar-se da Tradição é estar em erro. A noção própria da infalibilidade inclui que a doutrina que eles ensinam esteja em conformidade com a Tradição. Como poderia ser infalível se ela se desvia da Tradição? Se a doutrina deles desvia da Tradição, só há uma coisa a se dizer: eles não são a autoridade, dado que manifestam que não são assistidos por Cristo na promulgação de doutrina.

Os católicos, consequentemente, não precisam, nem podem, peneirar o magistério da Igreja à procura de erros ou heresias. A finalidade própria da Igreja Católica é a de ensinar infalivelmente a raça humana em nome de Cristo, que presta assistência perpétua à Igreja para fazer exatamente isso.

Além disto, o sistema de peneirar o magistério para separar o que é da Tradição despoja toda autoridade dos pretensos papas e bispos. A autoridade, num caso desses está, na realidade, com o peneirador, já que ele tem a última palavra quanto ao que é católico ou não. Despojando, assim, a hierarquia do Novus Ordo de sua autoridade de ensinar, governar e santificar a Igreja, o bispo Williamson está efetivamente argumentando em prol do sedevacantismo.


O Segundo Argumento
[Tirado do Número 342]

O bispo Williamson cita o argumento dos sedevacantistas de que os “papas” do Vaticano II promulgaram falsas doutrinas, leis e culto. Assim fazendo, estes destroem a indefectibilidade da Igreja, se forem verdadeiros papas. Para rebater esse argumento, ele aduz o caso do Papa Libério (352-366), que – alega ele – assinou um formulário herético. Neste caso, diz ele, a indefectibilidade não operou através do papa, mas através de Santo Atanásio, que permaneceu ortodoxo. De igual maneira em nosso tempo, a indefectibilidade é assegurada através do Arcebispo Lefebvre e daqueles que o seguem.

Resposta. 
Há três coisas a reparar aqui. 

(1) O Papa Libério não assinou um formulário herético. Assinou, sim, um formulário ambíguo, dando a este interpretação ortodoxa. Mas ainda que se concedesse, em prol da argumentação, que ele tivesse assinado um formulário herético, é certo que o Papa Libério não ensinou essa doutrina à Igreja inteira. Ora, as falsas doutrinas do Vaticano II têm sido promulgadas para toda Igreja pelos “papas” do Vaticano II e seus “bispos”. Esse fato representa uma diferença essencial entre o caso Libério e o dos “papas” do Vaticano II. Logo, a analogia é falsa.

(2) A indefectibilidade não fica salva pela fidelidade de um bispo ou de alguns bispos aos quais os fiéis devam aferrar-se. A Igreja Católica é essencialmente hierárquica, e consequentemente não é possível separar os seus atos e os seus atributos, dos Papas e da hierarquia universal. O que eles fazem, ela faz. Se eles falham, ela falha. O dom da profecia no Antigo Testamento, que era a missão de ensinar infalivelmente a revelação de Deus para os judeus, foi transferido por Cristo no Novo Testamento à Hierarquia católica. Logo, não pode haver nenhum “bispo-profeta” como o Arcebispo Lefebvre que peneire os ensinamentos da hierarquia católica, tornando-se ele próprio a autoridade infalível. A infalibilidade e indefectibilidade da Igreja Católica tem de ser operada pelo Papa e bispos em união com ele. Ela não tem como ser garantida por um ou alguns bispos que estabeleçam a si próprios como corretores do Papa e do restante da hierarquia. Sustentar uma teoria dessas arruína a constituição divina da Igreja Católica. A essência do Catolicismo é estar dotado de uma hierarquia que tem poder de ensinar, governar e santificar em nome de Cristo e com a mesmíssima autoridade que Jesus Cristo. Se os fiéis, para descobrirem a verdade sobrenatural, precisam recorrer a bispos-profetas, denunciantes que se voltam contra esta hierarquia, a própria natureza e essência da Igreja Católica cai em ruína.

Noutras palavras, ninguém pode falar em nome de Deus acima ou à margem da Hierarquia Católica-Romana.

(3) O sistema do bispo Williamson, de peneirar o magistério para determinar sua conformidade com a Tradição, subverte completamente a regra católica da fé, que é o magistério da Igreja Católica. O sistema dele é essencialmente o dos protestantes. Eles sustentam que cada indivíduo tem de decidir por si mesmo qual a verdadeira interpretação das Escrituras. O bispo Williamson está dizendo que cada católico precisa decidir por si mesmo o que ele considera estar em conformidade com a Tradição ou não. Uma tal regra da fé conduziria a exatamente o que o protestantismo é: um aglomerado de pessoas que não têm absolutamente nenhuma unidade de fé, que altercam infindavelmente acerca do que dizem as Escrituras, e que se fragmentaram numa miríade de facções dogmáticas.

Há muitos casos na história da Igreja Católica em que esse apelo ao mais alto tribunal da Tradição por sobre a cabeça do magistério levou a grave erro. Os Donatistas tornaram-se cismáticos, por exemplo, porque pensaram que a Igreja estava errada em aceitar como válidos os sacramentos daqueles que tinham caído em apostasia durante a perseguição. Os Gregos entraram em cisma no século IX porque diziam, entra outras coisas, que o uso de pão ázimo no rito romano não era tradicional, e que portanto não era válido. Eles rejeitaram também o primado do Papa sob pretexto de que não fosse tradicional. Os vétero-católicos no século XIX, igualmente, rejeitaram a infalibilidade papal alegando que ela não fosse tradicional. Mesmo os modernistas argumentam que a Igreja Católica transformou-se com o tempo em algo que não pode ser encontrado na Igreja primitiva, e que portanto não é tradicional. Toda a reforma litúrgica da década de 1960 foi baseada na noção falsa do arqueologismo, a saber: de que os períodos medieval e tridentino criaram uma liturgia que não estava em conformidade com a tradição primitiva. Os Feeneyítas (Fineístas) alegam que a doutrina católica do Batismo de Sangue e de Desejo não pode ser reconciliada com a Tradição, mas foi inventada no século XIX.


A noção do bispo Williamson de peneirar a tradição, que é uma urdidura de Ecône, é um potencial vespeiro de heresia e cisma, e põe o católico tradicional nas piores companhias.


O Terceiro Argumento
[Tirado do Número 342]

O bispo Williamson afirma corretamente: “O que os bispos do mundo ensinam, em união com o Papa, é o Magistério Universal Ordinário da Igreja, que é infalível.” Ele propõe então o argumento dos sedevacantistas de que, dado que o Vaticano II tem sido promulgado pelos “papas” e “bispos” do Vaticano II, é impossível que eles sejam verdadeiros Papas e bispos. O bispo Williamson responde a isto dizendo que o Magistério Ordinário Universal do Vaticano II e anos subsequentes não esteve de acordo com a Tradição. Logo, não é magistério ordinário universal. Logo, o argumento dos sedevacantistas é falso.

Resposta. A noção que o bispo Williamson tem do Magistério Ordinário Universal (a ordem usual das palavras; doravante: MOU) é falsa. Vem de uma teoria que era comumente propagada em Ecône quando lá estive, de que um ensinamento não qualificava como MOU se não estivesse em conformidade com a Tradição. Logo, nessa visão, é possível que o Romano Pontífice junto do inteiro corpo dos bispos ensine uma doutrina à Igreja inteira que, de fato, seja herética. Uma afirmação dessas é que é herética!

Em parte alguma, a ideia Econiana de fazer a triagem do MOU pode ser encontrada nos livros-texto de teologia dogmática ou no ensinamento da Igreja Católica. A definição de MOU dada pelo Pe. Reginald-Maria Schultes O.P., escrevendo em 1931, é a seguinte: “O magistério ordinário e universal é exercido quando a Igreja prega a doutrina revelada, ensina-a em suas escolas, publica-a através dos bispos, e a atesta e explica através dos Padres da Igreja e dos teólogos.”
[1. Schultes, Reginald-Maria, De Ecclesia Catholica Prælectiones Apologeticæ (Paris: Lethielleux, 1931), p. 355. Itálicos do original.] Todos os teólogos católicos concordam nesta definição.

O Pe. Sylvester Berry escreve:

“A autoridade docente ordinária dos bispos é aquela que eles exercem ao ensinarem os fiéis de suas respectivas dioceses mediante cartas pastorais, sermões proferidos por eles próprios ou por outros aprovados para esse fim, e mediante catecismos ou outros livros de instrução publicados e aprovados por eles. Quando os bispos da Igreja, empenhados desse modo no dever de instruir seu povo, são praticamente unânimes em proclamar uma doutrina de fé ou costumes, diz-se que eles exercem a autoridade docente universal, e são então infalíveis quanto a esta doutrina. Noutras palavras, uma doutrina de fé ou moral na qual praticamente todos os bispos da Igreja concordem é infalivelmente verdadeira. A fé da Igreja discente deve corresponder à fé proposta pelos bispos que constituem o corpo docente na Igreja. Logo, se os bispos como um corpo não fossem infalíveis, a Igreja toda poderia ser induzida em erro a qualquer momento, e destarte cessar de ser a Igreja de Cristo, a coluna e o fundamento da verdade.”
[2. Berry, Sylvester, D.D., The Church of Christ (Saint Louis: B. Herder, 1927), pp. 466-467.]

Para provar ainda mais o que estou dizendo, chamo vossa atenção para o livro-texto de Teologia Dogmática escrito pelo Pe. Francis Diekamp em 1917, intitulado Theologiæ Dogmaticæ Manuale. Ele afirma:

“Os bispos individuais exercem o supramencionado magistério ordinário na sua instrução religiosa ordinária ou em instruções desse tipo que ocorram por ordem sua e sob sua vigilância, e em juízos publicados pelos Soberanos Pontífices e dados por escrito, em Sínodos sejam provinciais ou diocesanos, na condenação de erros feita em cartas pastorais, na publicação de catecismos ou livros de devoção que são distribuídos à diocese toda, etc.Os livros litúrgicos prescritos pelos bispos e especialmente pelos Romanos Pontífices são de grande importância em argumentos tocantes ao dogma. As leis, ritos e orações neles contidas dão testemunho da fé dos pastores e dos fiéis. Do consenso, com que todas as igrejas ocidentais e orientais concordam na fé, advém obrigação de prestar o assentimento de fé. O Papa Celestino I [422-432] ensinou isto: “Olhemos também para os mistérios sagrados das orações dos sacerdotes, que foram transmitidas desde os Apóstolos e são uniformemente celebradas no mundo todo e em todas as igrejas católicas, a fim de que a lei da oração fixe a lei da crença.” [Destaque no original.] (Epist. 21, 11)

A doutrina dos bispos considerada conjuntamente, exatamente como a definição ex cathedra do Romano Pontífice, não é tornada infalível pelo assentimento que a Igreja discente dá a ela; pelo contrário, é infalível por si mesma em razão da assistência divina, pela qual é preservada de erro. [Grifos adicionados.]

A doutrina exposta por esses autores, bem como a descrição do MOU, estão em conformidade com a de todos os teólogos católicos. Ultrapassa o escopo deste artigo aduzir todas as provas.

A noção de MOU do bispo Williamson, por outro lado, não pode ser encontrada no livro de nenhum teólogo católico, nem no magistério da Igreja. A ideia de MOU do bispo Williamson exige que o ensinamento universal da Igreja seja analisado e adjudicado pelos fiéis quanto à sua conformidade com a Tradição. Num tal cenário, é inteiramente possível que a hierarquia ensine heresia num dado ponto qualquer, mas que a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja sejam preservadas pela própria rejeição desse magistério, baseado nos fiéis que não a encontrarem conforme à Tradição. 
Isso é tão absurdo como dizer: “a Igreja Católica é infalível exceto quando erra.” Ademais, o sistema dele requer que os fiéis formem o juízo de se aceitar ou não o magistério ordinário universal, baseados numa convicção pessoal de que ele esteja em conformidade com a Tradição ou não. Noutras palavras, os fiéis devem peneirar o ensinamento da Igreja universal toda vez que ela se pronuncia, a fim de distinguir a verdade do erro. Como já disse, tal noção de magistério despoja o Papa e a Hierarquia de sua autoridade e a desloca para o indivíduo, já que ele possui a última palavra no quesito se a doutrina está ou não, conforme à Tradição.

O que o bispo Williamson diz sobre a Tradição também poderia ser atribuído à Escritura. E se eu pensar que algum ato do magistério da Igreja não esteja compatível com a Sagrada Escritura? Tenho então o direito de rejeitá-lo, ao mesmo tempo que considero tal papa, negador da Escritura, como verdadeiro Vigário de Cristo?

A arrepiante realidade é que as ideias do bispo Williamson estão em exata conformidade com aquilo que o herege arquimodernista Hans Küng disse em seu livro de 1970 intitulado Infalível? Uma Interpelação. Nele, Küng diz que a infalibilidade da Igreja não está atrelada a fórmulas dogmáticas, as quais, diz ele, na realidade podem estar erradas, mas sim ao comprometimento global e duradouro da Igreja com a verdade. Küng afirma:

“A infalibilidade, a inenganabilidade nesse sentido radical, significa, portanto, uma permanência fundamental da Igreja na verdade, que não é anulada por erros individuais.”
[3. Küng, Hans, Infallibility? An Inquiry (Garden City, New York: Doubleday, 1971), pág. 181. Destaques do original.]

“Mas ser verdadeira, por parte da Igreja, não depende absolutamente de proposições infalíveis bem definidas, mas em permanecer ela na verdade através de todas as — mesmo errôneas — proposições.”
[4. Ibid., pág. 182.]

Ele cita Yves Congar, outro arquimodernista no Concílio:

“Uma ou outra parte da Igreja pode errar, até mesmo os bispos, até mesmo o papa; a Igreja pode ser chacoalhada pelas tempestades: no fim, ela permanece fiel.”
[5. Citado em ibid., pág. 183.]

E a seguinte afirmação de Küng se assemelha bem de perto à posição do bispo Williamson:

“Onde, então, nesses tempos sombrios, a indefectibilidade da Igreja foi realmente manifestada? Não na hierarquia nem na teologia, mas entre aqueles inumeráveis, e em sua maioria desconhecidos cristãos — e sempre houve alguns bispos e teólogos no meio deles — que, mesmo nos piores períodos da Igreja, ouviram a mensagem cristã e tentaram viver de acordo com ela na fé, no amor e na esperança.”
[6. Ibid., pág. 189.]

“Foram eles as verdadeiras testemunhas da verdade de Cristo…”
[7. Ibid.]

Küng cita os cismáticos orientais, a fim de provar sua tese:

Os patriarcas cismáticos escreveram a Pio IX em 1848: “Entre nós, nem Patriarcas nem Concílios jamais lograram introduzir novos ensinamentos, pois o guardião da religião é o próprio corpo da Igreja, ou seja o próprio povo (laos).” [8. Apud ibid., pág. 200.]

Küng cita o teólogo russo cismático Alexei Khomiakov, que diz:

“A constância invariante e verdade inerrante do dogma cristão não depende de nenhuma ordem hierárquica; ela é guardada pela totalidade, pelo inteiro povo da Igreja, que é o Corpo de Cristo.”
[9. Apud ibid., página 201.]

Nos Trinta e Nove Artigos anglicanos, lê-se: “Assim como as Igrejas de Jerusalém, de Alexandria e de Antioquia erraram; assim também a Igreja de Roma errou, não somente em sua conduta e forma cerimonial, mas também em questões de fé.”

O bispo Williamson não consegue escapar do acordo com esses hereges protestantes, pois mantendo ele que a hierarquia modernista é a hierarquia católica, ele não tem como fugir da conclusão de que “a Igreja de Roma errou”. Em contrapartida, o sedevacantista mantém que os falsos ensinamentos e práticas do Vaticano II não vêm da Igreja de Roma, mas de um grupo de mafiosos eclesiásticos, hereges, que estão simulando ser a hierarquia católica. O dever do católico nesta crise é desmascarar esses impostores, e denunciá-los como falsos hierarcas.

É verdade que devemos comparar todas as coisas, ditas por quem quer que seja, com o ensinamento tradicional da Igreja. De igual maneira, comparamos com os primeiros princípios da razão tudo aquilo que ouvimos, e imediatamente rejeitamos o que for contraditório. Num caso como o nosso, em que vimos a aparente hierarquia católica ensinar falsa doutrina e promulgar falso culto e leis pecaminosas, é necessário concluir que eles não são verdadeiros papas e bispos, dado que é impossível que verdadeiros papas e bispos, tomados como um todo, façam uma coisa dessas. A defecção do Vaticano II com relação à verdade, e seu ensinamento de heresia à Igreja universal, são sinais infalíveis de que Paulo VI não era verdadeiro papa, e nunca foi um verdadeiro papa. Pois toda a autoridade de qualquer concílio geral depende do Papa.

A doutrina que acabo de expor está inteiramente concorde com a Sagrada Escritura, na qual São Paulo, em Gálatas I, 8-9, afirma: “Mas ainda que nós, ou um anjo do céu, vos pregue um evangelho além daquele que nós vos pregamos, seja anátema. Como eu já disse, digo novamente agora: Se alguém vos pregar um evangelho, além daquele que vós recebestes, seja anátema.” Note-se que ele não os manda peneirar o docente de falsidades à cata de migalhas de boa doutrina, mas pelo contrário, manda que eles o rejeitem por completo. Seja anátema. Esta doutrina está em conformidade também com a bula do Papa Paulo IV Cum ex apostolatus de 1559, que convoca à completa rejeição de um Romano Pontífice que se descubra ser herege, e não à triagem da doutrina dele.

Resumindo minha resposta: O magistério ordinário universal, que é o ensinamento referente à fé e à moral de todos os bispos espalhados pelo mundo inteiro, junto do Romano Pontífice, é infalível. Esta doutrina foi definida no Concílio Vaticano de 1870, e está no Código de Direito Canônico de 1917. Logo, é herético até mesmo pôr em dúvida aquilo que é ensinado pelo magistério ordinário universal. Se o que aparenta ser o magistério ordinário universal contradiz o ensinamento da Igreja, então a conclusão necessária é que isso não pode ter vindo da verdadeira hierarquia da Igreja Católica, pois eles são assistidos por Cristo a não cometerem erros a esse respeito. É contrário à constituição da Igreja rejeitar o magistério ordinário universal como falso, ao mesmo tempo que aceitando a hierarquia que o promulga como sendo a verdadeira Hierarquia Católico-Romana. A noção de magistério ordinário universal do bispo Williamson é falsa, e extremamente perigosa, pois leva o católico a crer que a inteira Igreja docente, o Romano Pontífice com todos os bispos, seja capaz de ensinar erro em matérias que são da alçada da fé. Portanto, os princípios do bispo Williamson concernentes ao magistério ordinário universal não podem ser usados contra os argumentos em prol do sedevacantismo, já que os princípios dele são falsos.


O Quarto Argumento
[Tirado do Número 343]

Aqui o bispo Williamson tenta neutralizar aquele argumento dos sedevacantistas que postula que, dado que os papas do Vaticano II são hereges públicos, eles não podem ser Papas. Ele responde que os papas conciliares, embora tenham afirmado heresias objetivas, subjetivamente não são culpados do pecado ou crime de heresia, devido ao fato de não termos como provar, fora de um tribunal legítimo, que eles realmente têm consciência de contradizer o ensinamento católico.

Resposta. (…omissis…)

[N. do T. – Embora do mais alto interesse, a resposta a este ponto saía do assunto do M.O.U. que principalmente interessa aqui, e por brevidade a omito, referindo o leitor interessado neste argumento ao estudo mais amplo do Rev. Pe. Anthony CEKADA, O erro mentevacantista do bispo Williamson, set. 2006; trad. br. de nov. 2012 em: “wp.me/pw2MJ-1zS”.]


Resposta ao Número 344

Esta continuação é uma explicação da infalibilidade da Igreja, mas que padece dos mesmos erros, similares aos de Hans Küng, que mencionamos acima. Procura desvincular da hierarquia a infalibilidade e indefectibilidade.

No segundo parágrafo, o bispo Williamson exprime clarissimamente a noção católica de infalibilidade da Igreja. Essencialmente, ele diz isto: que Cristo assiste à Igreja Católica de tal maneira, que Ele os preserva de erro no ensinamento da doutrina católica.

No terceiro parágrafo, porém, diz ele que, porque Deus não quer remover o livre arbítrio, esses mesmos eclesiásticos, que no parágrafo dois eram assistidos por Cristo evitando que cometessem erros, são na realidade capazes de erro. Isso não faz o menor sentido.

Ele tenta salvar a infalibilidade dizendo que Deus não permite que a Sua Igreja se torne “inteiramente defectível”. Prova disso é que até mesmo os papas do Vaticano II ensinaram algumas coisas que eram verdadeiras. Podemos concluir que a Igreja poderia falhar parcialmente, i.e., ensinar um pouco de erro, mas não todo.

Aí então, ele coloca a pergunta: Como alguém pode distinguir entre a verdade e a falsidade, num caso desses? A resposta é: peneirando, isto é, comparando o que é ensinado pelos “papas” vaticanossegundos com o magistério tradicional.

Ele repete então a tese Küng, de que a infalibilidade da Igreja não repousa na hierarquia sozinha, mas na Igreja inteira. “Ela [a Tradição] tem sido aquilo para o que Deus dotou Sua Igreja como um todo – e não apenas os Papas – com a direção do infalível Espírito Santo.” [Sublinhado do original.]

Hans Küng aplaudiria essa afirmação com ardente entusiasmo. Küng diz:

“A Igreja, contudo, não pode simplesmente ser equacionada à Igreja oficial, ao papa e bispos. É antes a Igreja escondida, mas completamente real, daqueles que verdadeiramente creem, aquela que não pode errar, porque Cristo, conforme sua promessa, permanece com ela até o fim do mundo; ela é a “coluna e o baluarte da verdade” (I Tim. III, 15) Nessa medida, a Igreja foi preservada mesmo sob um papado errante e falhante.”
[11. Küng, op.cit., pág. 195.]

A teoria do bispo Williamson nos faria crer que a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja são preservadas pela triagem que os fiéis fazem do magistério papal, a fim de descobrirem os erros deste. Num caso tal, o Espírito Santo assiste à Igreja discente quando Ele falhou em assistir à Igreja docente, i.e., a hierarquia. Isso não faz sentido algum. O que pode ser a assistência do Espírito Santo ao Papa e bispos, se Ele falha em preservá-los de ensinar erro à Igreja inteira? Se Ele falha em preservá-los de erro, que garantia nós temos de que a Tradição é a verdade?


Conclusão

O bispo Williamson vem laborando sob graves erros conceituais acerca da natureza do magistério, da infalibilidade da Igreja, da indefectibilidade da Igreja, e da natureza do pecado e crime de heresia… As teorias dele sobre o magistério tornam a ele e aos seus seguidores logicamente comprometidos com a heresia de que o magistério ordinário universal pode realmente ensinar alguma coisa contrária à fé.

O erro do bispo Williamson é o seguinte: ele separa a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja Católica Romana da hierarquia dessa mesma Igreja, e transfere-a para os fiéis peneiradores.

Em contrapartida, a força do argumento sedevacantista é identificar de maneira absoluta e exclusiva a infalibilidade e indefectibilidade com a Hierarquia Católica Romana. Consequentemente, uma hierarquia falhante não é a Hierarquia de maneira alguma.

O bispo Williamson, no entanto, não está enxergando o quadro geral e uma coisa que é absolutamente fundamental: O Vaticano II e suas reformas são uma mudança substancial da Fé Católica, ou meramente acidental? Dito de outro modo: A religião que encontro em minha paróquia local, operada sob a direção e aprovação do “Papa” Francisco e do “bispo” Novus Ordo local, é a Religião Católica? Ainda de outra maneira: Se eu praticar a religião que me é dada por o que o bispo Williamson diz serem o Papa e os bispos católico-romanos, eu vou para o Céu? Essa religião agrada a Deus, ou desagrada? É a verdadeira religião, ou uma falsa?

Se afirmamos que a nova religião é substancialmente a mesma que o Catolicismo pré-Vaticano II, que ela é a religião católica, e que uma pessoa pode salvar a sua alma adotando-a e praticando-a, então que necessidade temos do movimento tradicional? Resistir a estas mudanças seria resistir à Fé Católica. Seria assinarmos nossa própria condenação à morte eterna.

Se, em contrapartida, a nova religião é uma alteração substancial do Catolicismo Romano, se ela não é a religião católica, e se ela é desagradável a Deus e caminho do inferno, então como podemos dizer que ela é promulgada por uma Igreja infalível e indefectível?

O bispo Williamson em suas explanações está dando a linha padrão de Ecône, a fim de justificar a posição deles de reconhecer e resistir. Querem eles reconhecer a hierarquia Novus Ordo como verdadeira hierarquia católico-romana, mas ao mesmo tempo resistir a ela em praticamente tudo. Eles condenam o Concílio, a Missa Nova, os novos sacramentos. Dizem às pessoas para não irem às Missas aprovadas por essa suposta hierarquia católico-romana. Como nada disso faz o mais mínimo sentido em teologia católica, uma nova teologia teve de ser urdida por Ecône, a fim de justificar-se. Eu me lembro. Já escutei todas essas coisas. Ouvi o Arcebispo Dom Lefebvre dizer em conferência: “O magistério do Vaticano II é só magistério ordinário, que não é infalível.” Na época, acreditei nisso; descobri mais tarde que era um erro gravíssimo, mesmo uma heresia, prout iacent. Era também o Arcebispo Dom Lefebvre que usava a analogia e a palavra peneirar o magistério e leis da hierarquia Novus Ordo para determinar o que é católico e o que é modernista.

A teologia de Ecône remove a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja da hierarquia Católica, que é a Igreja docente, e coloca-a nos fiéis, ou Igreja discente. Fazer isso é fazer da Igreja Católica a Igreja Protestante, na qual os indivíduos são inspirados pelo Espírito Santo para descobrir a verdade.

A doutrina católica é que a Igreja docente, a Hierarquia Católico-Romana, é a infalível preservadora da Tradição, e infalivelmente a propõe a toda a Igreja. Com efeito, se isso não fosse verdade, não haveria Tradição alguma com a qual comparar o Vaticano II e suas reformas. Pois, como disse o teólogo do século dezenove De Groot em seu tratado sobre a Igreja: “Todo aquele que separa do magistério infalível da Igreja a salvaguarda e preservação das tradições, remove a infalível certeza dessas tradições com relação ao homem.” [12. De Groot, J.V., O.P., Summa Apologetica de Ecclesia Catholica (Ratisbona: G.J. Manz: 1906) pág. 765. Grifos no original.]

Ironicamente, tanto o bispo Williamson quanto Hans Küng separam da hierarquia da Igreja Católica a salvaguarda e preservação das tradições.

Se bem que o bispo Williamson certamente não queira ter parte alguma com a heresia, sem embargo ele, mediante sua teologia econiana, acha-se vizinho de porta ao lado de Hans Küng.

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APÊNDICE
Resposta a uma objeção:
o sedevacantismo faz “triagem de papas”?

Fez-se uma objeção à minha recente réplica ao bispo Williamson. É uma objeção que frequentemente se faz contra os sedevacantistas. Objeta-se que os sedevacantistas não podem criticar a FSPX por fazer a triagem do magistério, já que eles próprios estão fazendo a triagem dos papas. Encontrando discrepância entre o magistério pré-Vaticano II e o magistério pós-Vaticano II, os sedevacantistas meramente depõem papas que eles constatam carecer de ortodoxia. Mas eles não têm autoridade para fazer isso. Logo, ao mesmo tempo que os sedevacantistas objetam à “peneiração do magistério”, eles próprios estão envolvidos em “peneiração de papa”, o que dá no mesmo.

Antes de tudo, como disse em meu artigo, todo católico deve comparar tudo o que ele escuta com o magistério anterior da Igreja, inclusive novos atos do magistério mesmo, dado que o magistério fixa os dogmas da Igreja, que são objeto de nossa fé. Então, uma vez que a Igreja tenha se pronunciado sobre qualquer questão dogmática ou moral, o pronunciamento dela fica gravado no mármore. Nada, daí em diante, pode contradizê-lo legitimamente. Mesmo papas estão vinculados ao magistério precedente.

A assistência do Espírito Santo à Igreja assegura que todo ato do magistério da Igreja estará em conformidade com o magistério anterior. Ademais, pelo dom da indefectibilidade, o Espírito Santo assiste à Igreja de tal maneira, que nenhuma disciplina ou lei universal, quer seja ela litúrgica ou outra, poderia prescrever algo pecaminoso.

Logo, havendo contradição entre o magistério anterior e o presente magistério, o católico tem de ficar do lado do magistério anterior, que não é alterável de maneira alguma, e é objeto da sua virtude de fé. Assim fazendo, o católico é obrigado a enxergar o “magistério” contraditório como não derivado da hierarquia que é assistida pelo Espírito Santo. Pois é impossível que uma hierarquia, assim assistida, possa promulgar uma coisa dessas. Logo, a contradição que se encontra no novo “magistério” tem de ser vista como um sinal infalívelde que ele não procede de uma hierarquia divinamente assistida. Logo, a promulgação das heresias do Vaticano II por Paulo VI é sinal infalível de que ele não possuía a autoridade papal, nem jamais o fez, já que ele teria sido assistido de tal maneira a evitar a promulgação de heresia e erro.

Pode-se dizer o mesmo das leis e disciplinas. Se os tradicionalistas estão dizendo que a nova liturgia é má, e que os novos sacramentos são inválidos ao menos em alguns casos, e que o Código de Direito Canônico de 1983 contém leis pecaminosas, então eles estão implicitamente asseverando que é impossível que essas coisas procedam de uma hierarquia divinamente assistida. A conclusão é o sedevacantismo.

Note-se que o tradicionalista não pode evitar a conclusão do sedevacantismo sem negar implicitamente a assistência do Espírito Santo à Igreja, o que seria realmente herético.

O grave erro da FSPX e do bispo Williamson é, precisamente, dizer que o Papa e a Hierarquia Católica como um todo é capaz de contradizer o magistério anterior, e é capaz de promulgar liturgias más, disciplinas más e leis más para toda a Igreja, destarte criando e promulgando toda uma nova e falsa religião. A solução, dizem eles, é passar o magistério, liturgia, disciplinas e leis conciliares e pós-conciliares pelo crivo, para obter o que eles julgam tradicional, ao mesmo tempo que reconhecendo os promulgadores da religião falsa como a legítima hierarquia católica. Isso significa que a hierarquia católica infalível promulgou universalmente heresia e erro, assim como liturgia má, leis más e disciplinas más. Só que isso é contrário à fé.

Portanto, a fé exige de nós, não que coemos o magistério e disciplinas faltosos, mas que rejeitemos os promulgadores como falsa hierarquia, isto é, como uma hierarquia que não têm a autoridade de ensinar, de governar e de santificar a Igreja.

Os sedevacantistas não estão depondo ninguém, dado que não têm autoridade alguma para o fazer. Assim, na tese do bispo Guérard des Lauriers, os fiéis podem e devem dizer somente que a hierarquia Novus Ordo carece de autoridade, pelas razões aduzidas, mas não está – nem pode ser – deposta, salvo por uma autoridade legítima.

O sedevacantismo, como eu disse em meu artigo, segue aquilo que S. Paulo diz aos fiéis gálatas no primeiro capítulo dessa Epístola. Se alguém, incluindo um anjo ou ele mesmo, pregar uma doutrina diferente daquela que ele pregou, seja anátema. Ele não diz: peneirem a doutrina falsa para reter as migalhas tradicionais. Noutras palavras, se o pregador viesse a contradizer o magistério precedente, ele deveria ser totalmente rejeitado, e não “aceito mas peneirado”. Assim também, Paulo IV convoca à plena rejeição do eleito papa que calhe de ser um herege. Os fiéis têm o mandamento, não de peneirar a doutrina dele para reter o que for verdadeiro, mas de considerá-lo um falso papa.

Portanto, se com “triagem de papas” se quer dizer que os fiéis católicos devem rejeitar como falso um pregador de doutrina falsa, ainda que ele porventura fosse o próprio S. Paulo, nesse caso os sedevacantistas se confessam culpados, pois isso é o que S. Paulo e a Igreja Católica exigem que façamos. “Triagem de papas” é, na realidade, o termo errado. “Triagem de herege” é mais exato, isto é: peneirar a hierarquia à cata de hereges, coisa que a Igreja sempre fez. Pois nenhum herege pode ser verdadeiro Papa.

O bispo Williamson quereria transferir a assistência do Espírito Santo, do Papa e Hierarquia, para os fiéis que creem, assegurando assim a infalibilidade do magistério por meio do consentimento e aceitação dos fiéis. Nesse sistema, pode-se ter um Papa e uma Hierarquia em defecção, mas ao mesmo tempo uma Igreja infalível e indefectível.

Diz um ditado que não se pode comer o bolo e tê-lo inteiro ao mesmo tempo. Já nesse sistema, por assim dizer, pode-se ter o seu papa e devorá-lo ao mesmo tempo!




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(Algumas mudanças na tradução de responsabilidade nossa)


Créditos para: 

Rev. Donald J. SANBORN, Resposta ao Bispo Williamson sobre a Vacância da Sé Romana, fev. 2014; trad. br. por F. Coelho, São Paulo, mar. 2014, blogue Acies Ordinata, http://wp.me/pw2MJ-2eY

Fonte principal: RESPONSE TO BISHOP WILLIAMSON On the Subject of the Vacancy of The Roman See, By Most Reverend Donald J. Sanborn, in:
“novusordowatch.org/sanborn-response-williamson.pdf”.

Apêndice: Is Sedevacantism Pope-Sifting?, 25 fev. 2014, in:
“novusordowatch.org/wire/sedevacantism-pope-sifting.htm”.

CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

f.a.coelho@gmail.com