A Igreja não tem garantias de que ela sempre terá um papa (sem interrupções); mas quando ela possui um, é garantida à ela um que seja Católico.

Sunday, October 24, 2021

Porque os Novos Bispos não são Verdadeiros Bispos

 

"Resumo do artigo do Padre Cekada refutando a afirmação da FSSPX de que os bispos do Novus Ordo sejam bispos válidos."


OS LEITORES da Revista Angelus [da FSSPX] provavelmente
ficaram surpresos no ano passado quando receberam a edição de dezembro de 2005, com seu artigo intitulado “Por que o novo rito da sagração episcopal é válido”. Como pode tamanho absurdo? E por que uma revista tradicionalista, publicada pela FSSPX, colocava na capa bispos concelebrantes do Novus Ordo?

Os tradicionalistas sempre se preocuparam com a validade da Missa Nova; mas a questão de saber se as Sagrações conferidas com os ritos pós-Vaticano II são válidas, raramente foi discutida, embora o clero ordenado por bispos sagrados no novo rito -- padres diocesanos, membros da Fraternidade de São Pedro, Instituto de Cristo Rei, etc. -- estejam oferecendo agora missas tradicionais em todos os lugares. Se os bispos que ordenaram esses padres não forem verdadeiros bispos, obviamente que as pessoas que assistem a essas missas adoram e recebem apenas pão. 

Depois da eleição de Bento XVI em 2005, o tema naturalmente começou a surgir mais frequentemente. Joseph Ratzinger havia sido sagrado no novo rito em 28 de maio de 1977. Seria ele, além da questão de ser ou não um verdadeiro papa, um verdadeiro bispo mesmo? 

No verão de 2005, um grupo de tradicionalistas Franceses publicou o primeiro volume da Rore Sanctifica, um dossiê do tamanho de um livro de documentações e comentários sobre o Rito da Sagração Episcopal de Paulo VI. (www.rore-sanctifica.org) O estudo apresentava na capa fotos lado a lado de Ratzinger e do Superior Geral da SSPX, Mons. Bernard Fellay, e concluia que o novo rito era inválido. (Três volumes adicionais apareceram desde então.) 

Isso chamou a atenção da cúpula da FSSPX na Europa, que estava negociando com Bento XVI para obter um status especial na Igreja do Vaticano II. Como os superiores da FSSPX poderiam convencer os tradicionalistas a se unirem a um papa que pode não ser sequer um bispo de verdade? 

Quando estive na FSSPX, mais de duas décadas atrás, o Padre Franz Schmidberger já promovia a ideia de que o novo rito de Sagração Episcopal era válido. Agora, entretanto, talvez tenha sido considerado pouco político que um membro tão proeminente da FSSPX apoiasse essa causa diretamente, pois [essa ideia] poderia ser sumariamente abatida ou, pior ainda, provocar uma repercussão/reação entre os fiéis. 

Em vez disso, os Dominicanos em Avrillé, França, uma ordem religiosa tradicionalista na órbita da FSSPX, foram designados para tentar elaborar um caso convincente de validade, fornecendo assim aos superiores da FSSPX um pouco de espaço de manobra para "negação plausível". Fr. Pierre-Marie OP produziu, prontamente, um longo artigo defendendo a validade do novo rito. Isso apareceu no ano passado no relatório trimestral dos Dominicanos, Sel de la Terre

Os superiores europeus da SSPX sempre consideraram a América como a terra dos "linha-duras", de mentalidade independente, então o artigo do Padre Pierre-Marie foi imediatamente traduzido para o inglês e publicado no The Angelus com uma tabela elaborada e atraente. 

O artigo apresenta tabelas de comparação impressionantes com textos em latim e repleto de notas de rodapé. Uma nota editorial apregoa seu estilo "Tomista”, e o autor nos garante que irá “proceder de acordo com o método escolástico para tratar o assunto da forma mais rigorosa possível”

Tudo isso pode intimidar o leitor casual a aceitar a validade do novo rito, ou pelo menos fazê-lo deixar [tal questão] de lado. 

Mas as coisas não são o que parecem. As tabelas do Padre Pierre-Marie, após um exame atento, acabam sendo comparações de maçãs e laranjas [de coisas distintas]. Suas notas de rodapé não citavam trabalhos sobre teologia moral sacramental -- disciplina esta que trata da validade dos sacramentos. E apesar de seu suposto estilo “Tomista”, Padre Pierre-Marie nunca focou nas duas questões centrais: 

(1) Que princípios a teologia católica emprega para determinar se uma forma sacramental (a fórmula essencial num rito sacramental) é válida ou inválida? 

(2) Como esses princípios se aplicam ao novo rito de sagração episcopal?

Com esses dois pontos em mente, sentei-me para escrever um estudo meu sobre o novo rito. Por muitos anos esperei encontrar tempo para tratar apenas desse assunto, e já havia coletado uma grande quantidade de material de pesquisa. 

O artigo resultante é intitulado "Absolutamente Nulo e Totalmente Inválido"  (frase do pronunciamento do Papa Leão XIII sobre a invalidade das ordens Anglicanas), e publicado na Internet no site www.traditionalmass.org. 

Concluí o artigo em 25 de março de 2006. Percebi mais tarde que esta data era o décimo quinto aniversário da morte do Arcebispo Lefebvre. Considerei isso providencial, porque o próprio Arcebispo me disse pessoalmente nos anos 1970 que considerava inválido o novo rito de consagração episcopal. 

Segue um breve resumo do artigo. Convido os leitores a consultar o original (link acima) para mais detalhes. 


I. Princípios Gerais 

(1) Cada sacramento tem uma forma (fórmula essencial) que produz seu efeito sacramental. Quando uma mudança substancial de significado é introduzida na forma sacramental através da corrupção ou omissão de palavras essenciais, o sacramento torna-se inválido ("não funciona” ou não produz o efeito sacramental). 

(2) As formas sacramentais aprovadas para uso nos ritos orientais da Igreja Católica, às vezes são diferentes nas palavras das formas de rito latino. No entanto, elas são as mesmas em substância e são válidos. 

(3) Pio XII declarou que a forma para as Ordenações Sagradas (ou seja, para o diaconato, sacerdócio e episcopado) deve significar univocamente (inequivocamente) os efeitos sacramentais -- o poder da Ordem e a graça do Espírito Santo. 

(4) Para conferir o episcopado, Pio XII designou como forma sacramental uma sentença no rito tradicional de consagração episcopal que expressa univocamente (a) o poder da Ordem que um bispo recebe, e (b) a graça do Espírito Santo


II. Aplicação à Nova Forma 

(1) A forma de Paulo VI para a consagração episcopal aparece em um prefácio especial no rito, e o texto completo da forma é o seguinte: 

“Portanto, agora derrame sobre este escolhido aquele poder que provém de você, o Espírito governante que você deu ao seu amado Filho, Jesus Cristo, o Espírito dado por ele aos santos apóstolos, que fundaram a Igreja em todos os lugares para ser o seu templo para a glória incessante e louvor do seu nome. ” 

Embora pareça mencionar a graça do Espírito Santo, a nova forma não parece especificar o poder da Ordem supostamente sendo conferida. Poderia [tal forma -- ainda assim] conferir o episcopado? Para responder esta pergunta, aplicamos os princípios estabelecidos na seção I. 

(2) A reduzida forma de Paulo VI para a consagração episcopal não é idêntica às formas extensas de Rito Oriental e, ao contrário delas, não menciona os poderes sacramentais próprios somente de um bispo. (por exemplo, ordenações). As orações de Rito Oriental com as quais o Prefácio da sagração de Paulo VI mais se assemelha, ademais, são orações não sacramentais para as instalações dos Patriarcas Maronitas e Sírios, que já são bispos quando nomeados. Em suma, não se pode argumentar (como faz o artigo do Angelus) que a forma de Paulo VI está “em uso em dois ritos orientais certamente válidos” e, portanto, válida. 

(3) Vários textos antigos (Hipólito, as Constituições Apostólicas e o Testamento de Nosso Senhor) compartilham alguns elementos comuns com o Prefácio da Sagração de Paulo VI que envolve a nova forma, e o artigo do The Angelus os cita como evidência para apoiar o argumento de que o novo rito seja válido. Mas esses textos foram todos “reconstruídos”, são de origem questionável, podem não representar o uso litúrgico real ou apresentar outros problemas. Não há evidências de que fossem formas sacramentais "aceitas e usadas pela Igreja como tal" -- um critério que a constituição de Pio XII sobre a Sagrada Ordem estabelece. Portanto, esses textos não fornecem nenhuma evidência confiável para apoiar o argumento da validade da forma de Paulo VI. 

(4) O problema principal na nova forma gira em torno do termo Espírito governante (Spiritus principalis em latim). Antes e depois da promulgação do Rito de Consagração Episcopal de 1968, o significado desta expressão suscitou preocupações sobre se ela significaria suficientemente o sacramento. Até mesmo um bispo da comissão do Vaticano que criou o novo rito levantou essa questão. 

(5) Dom Bernard Botte, o modernista que foi o principal criador do novo rito, sustentou que, para o cristão do século III, o Espírito governante conotava o episcopado, porque os bispos têm “o espírito de autoridade” como “governantes da Igreja. ” Spiritus principalis significa “o dom de um Espírito próprio de um líder”. 

(6) Esta explicação foi falsa e enganosa. Referência a dicionários, um comentário das Escrituras, os Padres da Igreja, um tratado dogmático, e cerimônias de investidura não sacramentais de Rito Oriental revelam que, entre uma dúzia de significados diferentes, e às vezes contraditórios, o Espírito governante não significa especificamente o episcopado em geral ou a plenitude das Sagradas Ordens que o bispo possui. 

(7) Antes de surgir a polêmica sobre isso, o próprio Dom Botte chegou a dizer que não via como a omissão da expressão Espírito governante mudaria a validade do rito de consagração. 

(8) O novo formulário falha em não cumprir dois critérios para o formulário das Sagradas Ordens estabelecidas por Pio XII(a) Porque o termo Espírito governante é capaz de significar muitas coisas e pessoas diferentes, ele não significa univocamente o efeito sacramental. (b) A nova forma carece de qualquer termo que conota mesmo de forma equivocada o poder da Ordem que um bispo possui -- a "plenitude do sacerdócio de Cristo no ofício episcopal e na ordem" ou "a plenitude ou totalidade do ministério sacerdotal". 

(9) Por estas razões, a nova forma constitui uma mudança substancial no significado da forma sacramental de atribuição do episcopado. 

(10) Uma mudança substancial no significado de uma forma sacramental, de acordo com os princípios da teologia moral sacramental, torna um sacramento inválido


III. Conclusão: Um Sacramento Inválido

Assim, uma consagração episcopal conferida com a forma sacramental promulgada por Paulo VI em 1968 é inválida -- ou seja, não pode criar um bispo real

Padres e outros bispos que recebem suas ordens de tais bispos são eles próprios, então, invalidamente ordenados/sagrados. Conseqüentemente, os sacramentos que eles conferem ou confeccionam, que dependem do caráter sacerdotal ou episcopal (Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema Unção, Ordens Sagradas), também são inválidos.


IV. Respostas às objeções. 

(1) “O contexto torna a forma válida.” 
A linguagem em outras partes do rito não pode curar esse defeito, porque um elemento essencial da forma (o poder da Ordem) não é apenas ambíguo, mas totalmente ausente

(2) “O formulário foi aprovado pelo papa”. 
Segundo Trento e Pio XII, a Igreja não tem o poder de mudar a substância de um sacramento. A omissão do poder da Ordem na nova forma muda a substância de um sacramento, portanto, mesmo que Paulo VI tivesse sido um verdadeiro papa, ele não teria o poder de fazer tal mudança. Na verdade, sua tentativa de fazer isso prova que ele não era um verdadeiro papa


* * * * * A RAZÃO pela qual a sagração dos bispos do rito do Novus Ordo é inválida pode ser resumida em uma frase: Os modernistas mudaram as palavras essenciais ao remover a ideia da plenitude do sacerdócio

Meu artigo “Absolutamente Nulo e Totalmente Vazio” está disponível em www.traditionalmass.org. Aqueles que não têm acesso à Internet podem escrever para o endereço abaixo para obter uma cópia impressa gratuita. 

Convido os leitores a fotocopiar e distribuir o artigo a outros católicos tradicionais, especialmente a clérigos e leigos filiados à FSSPX, muitos dos quais talvez já tenham sérias reservas sobre a validade do novo rito. 

Concluo com uma anedota pessoal: Em agosto de 1977, um tradicionalista da velha guarda me passou a citação favorita do Padre Carl Pulvermacher, um capuchinho que tinha acabado de começar a trabalhar com a FSSPX, e que mais tarde escreveria e imprimiria pessoalmente a Revista The Angelus; “Uma vez que não haja mais padres válidos”, Padre Carl dizia: "eles vão permitir a missa em latim". Palavras proféticas - mas pouco poderia ele ter suspeitado que sua própria revista e os próprios superiores da FSSPX um dia ajudariam a cumpri-las! (Maio de 2006) 


Para obter uma cópia impressa de “Absolutamente Nulo e Totalmente Vazio”, entre em contato com: St. Gertrude the Great Church, 4900 Rialto Road, West Chester OH 45069, 513.645.4212. Uma doação para cobrir a postagem é sempre bem-vinda.



Sunday, March 8, 2020

A Missa 'Una Cum'

[Extraído da edição do Boletim de janeiro do Seminário do MHT] 



Estou certo de que a maioria de vocês estão familiarizados com a nossa estrita postura quanto à participação na Missa 'Una Cum'. Nós, do clero do Instituto Católico Romano, consideramos que é objetivamente um sacrilégio participar ativamente de uma missa na qual Bergoglio (ou o bispo local do Novus Ordo) ) é mencionado no cânone. 

Deixe-me demonstrar os motivos. Para que uma Missa seja uma Missa Católica, não basta que seja meramente válida, mas também deve ser oferecida em união com, e em submissão e obediência à hierarquia da Igreja Católica. Assim como você não pode separar o catolicismo da hierarquia católica, também não pode divorciar a missa, o ato central de adoração, da hierarquia católica. 

Quando um verdadeiro papa está reinando, a Missa deve conter o nome do verdadeiro papa na primeira oração do cânon, o 'Te Igitur.' Se o bispo da Diocese está vivo, seu nome também deve ser pronunciado no mesmo local. É uma profissão de comunhão com o Romano Pontífice e com seu representante, o bispo da Diocese, e, portanto, de submissão e obediência a eles também. Esse gesto pequeno, mas muito importante, é o que distingue uma missa católica de uma missa cismática. 

Os cismáticos gregos (chamados de "ortodoxos") têm uma liturgia que é inteiramente católica, pois é a liturgia antiga usada antes do rompimento de Roma. Mas pelo simples fato de deixar de fora o nome do papa, sua Missa, embora válida, não é católica e é sacrílega. Por que sacrílega? Porque fazem uso de uma coisa sagrada, a Santa Eucaristia, de maneira imprópria.

Como é, então, a Missa Católica quando há a vacância na Sé Romana? Para que a Missa seja católica na vacância Romana, é necessário que nenhum nome de papa seja mencionado no Cânon enquanto a Sé estiver vazia. Ainda existe uma profissão de comunhão, submissão e obediência ao Romano Pontífice, na medida em que os fiéis aguardam a eleição de um novo papa, a quem serão devidamente submetidos.

Dito isto, agora vamos ver o caso de Bergoglio. Bergoglio não é essencialmente o verdadeiro Pontífice Romano. A razão é que ele promulgou heresias para a Igreja e condenou doutrinas em seu magistério. O dom de indefectibilidade, doutrina, adoração e disciplina da Igreja, torna impossível que um papa verdadeiro engane os fiéis por falsas doutrinas e por liturgia maligna. A indefectibilidade diz respeito à fé e, consequentemente, devemos concluir, diretamente da fé, que é impossível que Bergoglio seja papa, portanto, é necessário que seu nome não apareça no Cânon. Somente assim a Missa seria uma Missa Católica. Pois colocar o nome de um falso papa no Cânon da Missa é torná-la uma missa cismática.

Devo dizer aqui que tenho certeza de que quase todos os que assistem à Missa 'Una Cum' o fazem com boas intenções. Eles ignoram esses princípios e apegam-se apenas a uma vaga idéia de permanecer fiéis ao papa. Se for esse o caso, eles são dispensados ​​do pecado.

Uma causa de escusa, no entanto, não é uma causa justificável. Esse é um princípio da teologia moral, que significa que a ignorância dispensa da culpa, mas não justifica o ato. Se um homem atira em algo que se move na floresta, pensando ser um cervo, e na verdade é um homem, ele é dispensado da culpa, mas seu ato não é justificável. Em si, é um ato ruim.

O que anda de mãos dadas com a Missa 'Una Cum', e que na maioria dos casos é oriundo da Fraternidade São Pio X, é a doutrina do "Reconhecer e Resistir", que necessariamente flui de sua posição. Pois, por um lado, professam submissão a Bergoglio, mas, por outro lado, resistem a ele em praticamente todas as coisas, como se ele não existisse.

Reconhecer e resistir é cismático. O Papa Pio IX disse isso. Na Encíclica Quartus Supra, de 6 de janeiro de 1873, ele disse a um grupo de Armênios que afirmavam ser católicos, mas que não sentiam que deveriam obedecer o papa:


"De fato, é tão contrário à constituição divina da Igreja, como à tradição perpétua e constante, que alguém tente provar a catolicidade de sua fé e realmente se considerar católico, quando se falha na obediência à Sé Apostólica. 

Pois a Igreja Católica sempre considerou cismáticos todos aqueles que obstinadamente resistem à autoridade de seus prelados legítimos, e especialmente seu pastor supremo, e qualquer um que se recusa a executar suas ordens e até mesmo a reconhecer sua autoridade. Os membros da facção Armênia de Constantinopla, seguindo essa linha de conduta, ninguém, sob qualquer pretexto, pode acreditar que eles sejam inocentes do pecado do cisma, ainda que não tenham sido denunciados como cismáticos pela autoridade apostólica." [ênfase adicionada]

O mesmo Papa Pio IX, na Encíclica Quæ in patriarchatu, de 1º de setembro de 1876, dirigiu desta vez a alguns Caldeus que estavam reivindicando submissão ao papa, mas que ignoravam suas ordens:
 
"De que adianta proclamar em voz alta o dogma da supremacia de São Pedro e seus sucessores? De que adianta repetir diversas vezes declarações de fé na Igreja Católica e de obediência à Sé Apostólica, quando as ações desmentem essas belas palavras? Além disso, não seria a rebeldia prestada ainda mais indesculpável pelo fato da obediência ser reconhecida como um dever? Ademais, a autoridade da Santa Sé não se estende, como sanção, às medidas que fomos obrigados a tomar, ou é suficiente estar em comunhão de fé com essa Sé sem acrescentar a submissão da obediência, -- tal qual não pode ser mantida sem prejudicar a Fé Católica?

De fato, Veneráveis ​​Irmãos e filhos amados, é uma questão de reconhecer o poder [desta Sé], mesmo sobre suas Igrejas, não apenas no que diz respeito à fé, mas também no que diz respeito à disciplina. Aquele que nega isso é um herege; aquele que reconhece isso e obstinadamente se recusa a obedecer é digno de anátema." [ênfase adicionada]

O ponto é que a posição da Fraternidade São Pio X, reconhecendo Bergoglio como papa, mas agindo ao mesmo tempo como se ele não existisse, fazem-os cair sob essas severas condenações do Papa Pio IX. A participação em sua Missa 'Una Cum', portanto, é uma profissão aberta do que é precisamente condenado pelo Papa Pio IX. A FSSPX está perante um dilema. Pois, ou Bergoglio é papa, ou não é papa. Se ele for papa, a Missa 'Una Cum' da FSSPX é cismática, uma vez que não é autorizada por ele. Se ele não for papa, a Missa 'Una Cum' da FSSPX é cismática porque é oferecida em união com um falso papa. Pois, apesar de quaisquer concessões que tenham sido dadas à FSSPX, seus padres permanecem suspensos, seu apostolado não é autorizado e, se Bergoglio for papa, é um pecado mortal toda vez que eles rezam a Missa.

Em ambos os casos, portanto, sua Missa é cismática, e aqueles que dela participam ativamente estão cometendo objetivamente um pecado mortal. 

Reviso essas explicações com nossos fiéis, pois eles devem entender os fundamentos de nossa posição. Muitos tentam dizer: "Bem, mas é justificável ir à Missa 'Una Cum' se você precisar dos sacramentos e não fizer nada além disso". 

Isso é falso, porque nunca se pode, em nenhuma circunstância, postular um ato cismático.




Tuesday, September 4, 2018

CONDIÇÕES EM QUE SE PODE VOTAR EM CANDIDATOS INDIGNOS

*Nota prévia: Que a indolência e a escrupulosidade não impeçam os Católicos e as pessoas de boa vontade de votarem por não termos um perfeito candidato católico, pois é óbvio que moralmente falando um candidato se sobressai sobre todos os outros em praticamente todos os aspectos. Que esse excerto possa ajudá-los a vencer tal fraqueza.
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(4) "Pelo termo “candidatos indignos” não queremos dizer necessariamente homens cujas vidas privadas são moralmente repreensíveis, mas aqueles que, se eleitos, causariam graves danos ao Estado ou à religião, como por exemplo, homens de temperamento vacilante que temem fazer decisões.

Na vida prática, muitas vezes é difícil determinar se um determinado candidato é digno ou indigno, porque parece haver pouca coisa sobre a qual julgar com precisão, especialmente em eleições locais ou municipais. Isso não quer dizer que todo católico seja necessariamente o melhor homem para o cargo e que todo não-católico não seja; nem que todo católico promova os interesses do bem comum do estado e religião e que o não-católico não o faça. Mesmo que um homem tenha um caráter esterlino em sua vida privada, ele não se mostrará necessariamente competente em cargos públicos. Às vezes também, como São Roberto Belarmino apontou em seu De laicis [175], os chamados governantes do mal podem fazer mais bem do que mal, como Saul e Salomão. É melhor para o estado ter um governante do mal do que nenhum governante, pois onde não há governante, o estado não pode durar muito tempo, como o sábio Salomão observou: “Onde não há governador, o povo fracassará”. [176]
Quando candidatos indignos estão concorrendo a um cargo, normalmente um cidadão não tem a obrigação de votar neles. De fato, ele não teria permissão para votar neles se houvesse qualquer maneira razoável de eleger um homem digno, seja organizando outro partido, usando o método “write in”, ou por qualquer outro meio lícito. Por outro lado, seria lícito votar em um homem indigno se a escolha fosse apenas entre candidatos indignos; e pode até ser necessário votar em um candidato indigno (se a votação fosse limitada a tais personalidades) e mesmo para alguém que prejudicaria a Igreja, desde que a eleição fosse apenas uma escolha entre homens indignos e a votação nos menos indignos impedissem a eleição de outro mais indigno.
Como o ato de votar é bom, é lícito votar em um candidato indigno desde que haja uma causa proporcional para o mal feito e o bem perdido. Essa consideração parece simplesmente ao ato de votar em si e não considera outros fatores como escândalo, encorajamento de homens indignos e uma má influência sobre outros eleitores. Obviamente, se algum ou todos esses outros fatores estiverem presentes, a causa que justifica a votação para um candidato indigno teria que ser proporcionalmente mais grave. [177]

Lehmkuhl diz que nunca é permitido votar absolutamente para um homem de princípios malignos, mas, hipoteticamente, pode ser permitido se a eleição for entre homens de princípios malignos. Então, deve-se votar no que é menos mau (1) se ele fizer saber o motivo de sua escolha; (2) se a eleição é necessária para excluir um candidato pior. [178] O mesmo autor em seu Casus conscientiae lista o argumento geral, acrescentando que não deve haver aprovação do homem indigno ou de seu programa. [179]

Tanquerey declara que, se a votação é entre um socialista e outro liberal, o cidadão pode votar no menos mal, mas deve declarar publicamente por que está votando dessa maneira, para evitar qualquer escandalum pusillorum. [180] Prümmer diz o mesmo. [181] Na verdade, porém, nos Estados Unidos e em outros países onde a votação é secreta, parece não haver necessidade de declarar a maneira de votar.

Vários autores, incluindo Ubach, Merkelbach, Iorio, Piscetta-Gennaro, e Sabetti-Barrett, permitem cooperação material na eleição de um candidato indigno quando há dois homens indignos concorrendo para o cargo. Ubach acrescenta este ponto: (1) Não deve haver cooperação no mal que o homem traz à sociedade após assumir o cargo; (2) A votação não deve ser tomada como uma aprovação do candidato ou de sua indignidade. Merkelbach afirma que essa cooperação pode ser lícita por acidente se não houver esperança de que homens bons sejam eleitos sem votar nos maus na mesma eleição.

Em seu Casus Genicot, [186] estabelece um caso de uma eleição entre um liberal e um comunista. Para evitar escândalo, o cidadão deve dar razões para votar no liberal. Não se apoia o candidato maligno, mas simplesmente aplica o princípio do duplo efeito. Este autor também diz que uma pessoa pode usar uma reserva mental prometendo votar em um homem indigno.


O Cardeal Amette, Arcebispo de Paris, implica a legitimidade de votar em um candidato indigno quando ele escreve sobre votar num [candidato] menos digno. “Seria legal lançá-los como candidatos", nos diz ele, "embora não satisfizessem totalmente todas as nossas demandas legítimas, nos levando a esperar deles uma linha de conduta útil ao país, ao invés de darem seus votos para aqueles cujo programa seria de fato mais perfeito, mas cuja derrota quase certa poderia abrir as portas para os inimigos da religião e da ordem social. ”[187]

Assim, podemos dizer que é permitido votar em candidatos indignos (isto é, dar cooperação material) se estes forem o único tipo de homens na lista de votos; a fim de excluir os mais indignos; a fim de garantir a eleição de alguém que é indigno ao invés de votar em um bom homem cuja derrota é certa; e quando a lista é misturada, contendo homens dignos e indignos, de modo que um cidadão pode votar no primeiro apenas votando no segundo ao mesmo tempo."


Rev. Titus Cranny, S.A., M.A.., S.T.L.
The Catholic University of America Press,Washington, D.C., 1952

(*sublinhados nossos)

176. Prov. 11:14
177. “Omnes fere moderni theologi concedunt electionem mali deputati non esse quid intrinsecum malum, ac proinde aliquando per accidens licere ad avertenda majora mala.” Prümmer, op. Cit., 2, 604.
178. Compendium 343.
179. Op. cit., 1, 729.
180. Op. cit., 3, 981.
181. Op. cit., 2, 604.
181a Op. cit., 1, 115.
182. Op. cit., 1, 786.
183. Op. cit., 2, 161.
184. Op. cit., 4, 26, 4.
185. Op. cit., 262.
186. Op. cit., 138.
187. Ryan-Boland, 207-208.


Sunday, May 20, 2018

Canonizações e infalibilidade




    Santo Papa Paulo VI ???

Mais uma canonização do Novo Ordo parece ter data marcada para sair do forno (14/10/18), dessa vez em relação ao “grande” modelo de santidade, Paulo VI, notório membro da Maçonaria que regeu a segunda parte do Concílio Vaiprocano II e compilou a missa nova com outros seis protestantes. 


A Fraternidade São Pio X e a dita Resistência, encontram-se novamente numa encruzilhada, afinal...

Em relação ao ensinamento das canonizações e sua infalibilidade, na história da Igreja, tivemos: 

São Boaventura, São Belarmino, dentre outros, ensinando que supor que a Igreja possa errar numa canonização é pecado ou heresia.”[1]

Ao passo que Suarez, Azorius, Gotti, etc., mantinham que tal suposição seria "ao menos “próximo a heresia”.[2]

E, por fim, culmina-se o ensino da Igreja através de seu Doutor Comum, São Tomás de Aquino:

“...o Soberano Pontífice é guiado de uma maneira especial, pela influência infalível do Espírito Santo, quando canoniza os santos.” [3]

Portanto, a turma do “Reconhecer e Resistir” deveria ser ao menos coerente e admitir que, perante tal cenário, só existem duas opções: 

1. Ou esses senhores se passando por papas não possuem autoridade sobre os Católicos (não podendo, assim, serem papas, já que a própria palavra Papa implica ter autoridade, dada por Deus, sobre os Católicos), ou 

2. que preparem para venerar e/ou não-criticar todos esses "santos" conciliares.

Essa “terceira opção” inventada pela Fraternidade São Pio X, ou seja, a de que um verdadeiro papa possa canonizar hereges e apóstatas para serem seguidos por todos os católicos do mundo inteiro, como “modelo de santidade”, tendo até estátuas e Igrejas dedicadas a eles... Essa posição, caros leitores, NÃO é católica.

E a lista de novos “santos” vai crescendo a tal ponto que, no futuro, poderemos testemunhar até uma ladainha ecoando das capelas que negam admitir a óbvia e notória vacância da Sé de São Pedro:

“São José Maria Escriva, Rogai por nós 
São João Paulo II, 
Rogai por nós 
São João XXIII,
Rogai por nós 
São Paulo VI,
Rogai por nós 
São Bento XVI,
Rogai por nós 
São Francisco I, 
Rogai por nós....."

___________________

[1]The great means of salvation and perfection, St. Alphonsus De Liguori - Invocation of Saints III #4, Pág.23
[2] idem
[3] idem

Francisco não é Papa ou sequer Católico (II)

Saturday, September 2, 2017

Sacramento da Confirmação ministrado por um padre? Sem delegação episcopal?



  De acordo com o que foi relatado, e posteriormente confirmado em vídeo pelo próprio padre acusado de administrar Confirmações à fieis em diferentes partes do Brasil, creio que seria bom deixar um alerta aos tradicionalistas de boa vontade, pois o assunto é grave. 

  Espero que a compilação de textos doutrinais da Igreja Católica, aliado a falta de sequer um fato semelhante em toda a tradição da Igreja, possam alerta-los para as perniciosas consequências da mentalidade "Reconhecer & Resistir", pois ela é a raíz de todas essas atitudes anti-católicas.

"Os pastores devem ensinar, também, quem são os encarregados especiais para administração desse Sacramento; pois de acordo com o Profeta, "Não enviei esses profetas, mas eles foram correndo levar sua mensagem" [Jeremias, xxiii, 21], [por isso] é necessário ensinar quem são os verdadeiros e legítimos ministros, para que os fieis possam ser preparados para receber o Sacramento e graça da Confirmação.
A Sagrada Escritura mostra-nos que somente o Bispo é o ministro ordinário desse Sacramento, pois lemos no Atos dos Apóstolos que quando Samaria recebeu a Palavra de Deus, Pedro e João foram enviados à eles, ao passo que esses rezaram para que eles pudessem receber o Espírito Santo: pois Ele não havia ainda descido sobre eles, eles eram apenas batizados [Atos viii, 14]. Aqui podemos ver que aquele que havia batizado, sendo apenas um diácono, não havia o poder para Confirmar; mas que a administração era reservada para uma mais perfeita ordem de ministros, isto é, os Apóstolos. O mesmo pode ser observado quando quer que a Sagrada Escritura faz menção desse Sacramento. " [1] (*Sublinhados nossos)
  
  Somente em casos extraordinários os padres podem ser delegados a administração do Sacramento da Confirmação, não obstante, tais delegações possuem suas regras e restrições (e.g território, doença dos bispos titulares e auxiliares, etc.), portanto, não é algo que justificaria uma grave desobediência ao ensino Católico sobre um Sacramento que "não é necessário para a salvação e nem existe um grave preceito de sua recepção"[2].

  Reparem, porém, que mesmo em tempos ordinários, aonde haviam bispos --incluso o de Roma-- com autoridade e jurisdição Católica,  os mesmos só eram obrigados a oferecer a Confirmação aos fiéis num espaço que não ultrapassasse mais que 5 anos [3], isso comprova a sua falta de urgência ainda em tempos que haviam autoridades católicas com jurisdição ordinária. E mais, os bispos não eram estritamente obrigados a ministrarem o sacramento mesmo as pessoas que se encontravam em seus leitos de morte e pediam por tal sacramento[4], se isso não prova que o sacramento não é estritamente necessário, o que provaria?

  Isto não quer dizer que não se fazia, ou se deva fazer, todo o esforço possível para que o maior número possível de Católicos recebessem/recebam o Sacramento da Confirmação, não é isso. 
Mas ele há de ser de acordo com as regras e doutrinas da Igreja. 

  E se não há bispos ou padres designados, então não há a Confirmação. Os rebeldes incoformados que vão reclamar com O Próprio Deus!

  Se não existe o preceito que estritamente ordena tal necessidade, como qualquer manual de teologia ensina, por que tentam tirar da cartola uma suposta justificativa baseada no "estado de necessidade"?  

A única coisa que parecem justificar é a necessidade de continuarem com seus atos cismáticos, pois, se esses "bispos locais e o bispo de Roma" são verdadeiramente bispos e papa (como eles pregam), tais atos se caracterizam sim, em cisma. Assim como vários outros praticados pela dita "Resistência", ainda que feitos por ignorância.

Vale lembrar que severas punições são aplicáveis para aqueles que ultrapassam o limite da faculdade e/ou do mandato concedido como indulto para um padre ministrar a Confirmação:

- Confirmação ilícita 

O padre que não houver a faculdade pela lei ou concedida pelo Romano Pontífice, e ousar administrar o sacramento da confirmação, deverá ser suspenso; se ele obtiver faculdade mas ousar exceder seus limites, ele está ipso facto privado dela. [5]


Eis o preço por se "aceitar tudo, menos a vacância".

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[1]Catecismo do Concílio de Trento - Ministro da Confirmação

[2] (Dominic Prümmer, O.P - Teologia Moral cap.iii 580)

[3] e [4] (Dominic Prümmer, O.P - Teologia Moral cap.ii 578)

[5] Teologia Moral, P. Heribert Jone, 1965 com citação do [c.2365]